A médica veio pela manhã. Examinou Clarinha, examinou o bebê.
— Tudo bem com os dois. Podem ir pra casa.
Clarinha sentiu um misto de alívio e pânico.
— Já?
— Já. A recuperação tá boa, o bebê mamou bem, exames normais.
A enfermeira trouxe os papéis. Instruções, curativo, agenda da primeira consulta.
Beto organizou as sacolas.
— O bebê?
— No bercinho. — A enfermeira riu. — Não esquece ele.
Clarinha se vestiu devagar. O corpo ainda doía. Cada movimento lembrava o parto.
Beto colocou o bebê na cadeirinha do carro. Conferiu três vezes se estava preso.
— Tá certo?
— Tá.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Olha de novo.
Ele olhou.
— Tá certo, Clarinha.
Ela respirou fundo.
— Então vamos.
A enfermeira acompanhou até a porta. Despedida com sorriso.
— Parabéns. Bem-vindos à maternidade.
No carro, Beto dirigia devagar. Clarinha olhava o bebê no banco de trás.
— Parece que ele mudou desde ontem.
— Mudou?
— O nariz. O queixo. Tá mais definido.
— Ele tem um dia de vida.
— Eu sei. Mas parece que cresceu.
Beto sorriu.
— São seus olhos de mãe.
— Olhos de mãe?
— Tudo nele vai ser incrível pra você.
Ela encostou no banco.
— É verdade. Ele já é a pessoa mais linda do mundo.
— Com certeza.
O carro parou na frente de casa. A casa onde eles moravam só dois. Agora eram três.
*Continua em: livreto-212.md — Primeira noite em casa com o bebê*