O quarto do hospital estava silencioso. Clarinha tinha tomado banho, trocado a camisola. O bebê dormia no bercinho ao lado.
— Você precisa dormir — Beto disse.
— Não consigo.
— Você acabou de passar por um parto. Seu corpo precisa descansar.
— E se ele acordar?
— Eu atendo.
— E se ele chorar?
— Eu acalmo.
— E se eu não ouvir?
— Você vai ouvir. Mãe ouve.
Ela deitou, mas ficou olhando pro bercinho.
— Ele é tão quieto.
— Parece.
— Ele tá respirando?
Beto olhou. O peitinho subia e descia.
— Tá.
— Tem certeza?
Ele riu baixo.
— Tem.
— Beto, vai ver se ele tá bem.
Ele levantou, foi até o bercinho. O bebê dormia de boca aberta, os braços pra cima.
— Tá bem. Dormindo.
— Coloca a mão no peito dele.
Ele colocou. Sentiu o coração batendo.
— Tá batendo.
— Você sentiu?
— Senti.
— Graças a Deus.
Ele sentou de novo.
— Assim a gente não dorme nunca.
— Eu sei. — Ela virou de lado. — Mas é mais forte que eu. Preciso saber que ele tá bem.
Ele entendeu.
— Então a gente faz assim: eu fico acordado o primeiro turno, você dorme. Depois a gente troca.
— E você vai ficar olhando ele?
— Vou.
— O tempo todo?
— O tempo todo.
Ela fechou os olhos.
— Obrigada.
— Dorme.
Ele puxou a cadeira pro lado do bercinho. O bebê dormia. O pai vigiava. A primeira noite era isso: um cuidando do outro.
*Continua em: livreto-211.md — Alta da maternidade - voltar pra casa*