Na maternidade, Clarinha foi internada. Três centímetros de dilatação.
— Vai demorar algumas horas — a enfermeira disse.
Beto instalou a mochila no quarto. Colocou a música que ela gostava. Pegou o óleo de massagem.
Clarinha estava na cama, respirando conforme tinham ensinado.
Mais uma contração veio. Ela apertou a mão dele com força.
— Respira comigo — ele disse. — Inspira. Uma, dois, três, quatro. Solta.
Ela seguiu o ritmo dele.
— Aperta minha mão — ele disse. — O tanto que precisar.
Ela apertou. As unhas marcaram a pele. Ele não reclamou.
As horas passaram. A dilatação foi progredindo. Seis centímetros. Oito. Nove.
Clarinha estava exausta. Suada. Tremendo.
— Não vou conseguir — ela disse, a voz fraca.
Beto ajoelhou na frente dela.
— Já chegou até aqui. Só mais um pouco.
— Dói muito.
— Eu sei. Mas você é forte. Mais forte que a dor.
Ela fechou os olhos. Outra contração.
— Inspira — ele guiou. — Solta. Isso. Continua.
A enfermeira entrou.
— Dez centímetros. Hora de empurrar.
Beto olhou nos olhos dela.
— É agora.
— É agora.
Ela segurou a mão dele. E começou.
*Continua em: livreto-208.md — Nascimento do bebê - emoção*