Clarinha acordou com uma dor na lombar. Olhou no relógio. Cinco da manhã.
Ela esperou. Dez minutos depois, outra dor. Mais forte.
— Beto.
Ele acordou na hora.
— Que foi?
— Acho que começou.
Ele sentou na cama, alerta.
— Contrações?
— Acho que sim.
Ele pegou o celular. Cronômetro.
— Quando começou?
— Cinco e cinco.
Eram cinco e quinze. Três minutos depois, outra contração.
— Intervalo de três minutos — Beto disse.
— É cedo?
— Prazo de três minutos é hora de ir.
Ela gemeu, segurando a barriga.
— Beto, eu tô com medo.
Ele sentou na beira da cama, segurou o rosto dela.
— Eu também. Mas a gente vai.
— As malas?
— Tão prontas.
— O carro?
— Cheio de gasolina.
— O celular?
— Carregado.
Ela respirou fundo.
— Então vamos.
Ele ajudou ela a levantar. Ela parou no meio da sala, outra contração.
— Intervalo de dois — ela disse, ofegante.
Beto pegou a mala, a mochila, a almofada que ela gostava.
— Vem, amor.
Ela foi. Devagar, apoiada nele.
No carro, ela segurava a mão dele com força.
— A gente vai ser pai e mãe hoje.
Ele apertou a mão dela de volta.
— A gente vai.
O carro arrancou. A jornada mais importante das vidas deles estava começando.
*Continua em: livreto-207.md — Trabalho de parto - Beto acompanhando*