No curso de preparação, Beto aprendeu técnicas de massagem. Agora ele praticava em Clarinha todos os dias.
— Vamos revisar a pressão lombar.
Ela deitou de lado, ele posicionou as mãos na base da coluna.
— Aqui?
— Um pouco mais pra baixo.
Ele ajustou. Aplicou pressão com a base da palma, em círculos lentos.
— Isso. — Ela suspirou. — Continua.
Ele continuou. Movimentos firmes, sem pressa.
— No dia do parto, vou fazer isso sem parar.
— Sem parar?
— Até você mandar parar.
— Ou até seu braço cair.
— Meu braço cai, eu uso o outro.
Ela riu.
Depois da massagem, ele pegou o óleo essencial que tinha comprado.
— Lavanda.
— Cheiroso.
— Relaxante. — Ele pingou algumas gotas nas mãos. — Vou te massagear os pés agora.
— Os pés?
— Você carrega o bebê o dia inteiro. Seus pés merecem.
Ele tirou o chinelo dela, espalhou o óleo e começou a massagear. Polegar no arco do pé, deslizando até o calcanhar. Movimentos lentos.
Clarinha fechou os olhos.
— Seu pai vai ser um ótimo massagista.
— Seu pai vai ser um ótimo tudo.
Ela sorriu, de olhos fechados.
— Você estragou o momento com essa terceira pessoa?
— Estraguei? — Ele riu. — Desculpa.
— Pode continuar massageando.
Ele continuou. O silêncio preencheu o quarto.
— Beto.
— Fala.
— Obrigada por cuidar de mim.
Ele beijou o pé dela.
— Sempre.
*Continua em: livreto-204.md — Visita à maternidade*