Beto passou um mês pesquisando berços. Segurança, material, certificação do Inmetro. Leu vinte avaliações online.
— Esse tem bordas arredondadas, regulagem de altura e grade com espaçamento correto.
— Bonito — Clarinha disse.
— Bonito e seguro.
Compraram. No sábado, ele montou.
A sala virou canteiro de obras. Parafusos, peças de madeira, instrução em seis idiomas. Beto suava, apertando aqui, encaixando ali.
— Preciso de ajuda? — Clarinha ofereceu.
— Tô bem.
Duas horas depois, o berço estava montado. Ele passou a mão em cada borda, checando se tinha farpa.
— Testa aqui.
Ele balançou o berço. Firme.
— Passou no teste.
Ela colocou o colchão, a roupa de berço, as almofadas de proteção.
— Pronto.
Beto olhou pro quarto. O berço, o trocador, o cesto de fraldas, as roupinhas penduradas no guarda-roupa.
— O quarto tá pronto.
— O quarto tá pronto.
Ele sentou no chão.
— Parece real agora.
— Parece.
Ele puxou ela pro colo.
— Só falta o bebê.
— Só falta.
Ele olhou pro berço vazio. Em algumas semanas, teria um bebê ali.
— A gente conseguiu.
— A gente conseguiu.
Ela encostou a cabeça no ombro dele. O quarto estava pronto. O coração deles também.
*Continua em: livreto-202.md — Clarinha com medo do parto (conversa honesta)*