A consulta com a Dra. Renata foi direta.
— Parto normal é o recomendado. Recuperação mais rápida, menos riscos cirúrgicos, benefícios pro bebê.
— Mas dói — Clarinha disse.
— Dói. — A médica não escondeu. — Mas tem métodos de alívio. Anestesia peridural, massagem, bola, banheira.
— E cesárea?
— Cesárea é cirurgia. Tem indicação específica. Bebê pélvico, sofrimento fetal, pré-eclâmpsia. Não é escolha de cardápio.
Clarinha ficou em silêncio.
Beto segurou a mão dela.
— O que você tá sentindo?
— Medo.
— Medo do quê?
— De não conseguir. De sentir dor demais. De perder o controle.
A médica apoiou o jaleco na mesa.
— Clarinha, toda mulher tem medo. Até quem já teve filho. O parto é imprevisível. Mas o corpo da mulher foi feito pra isso.
— E se não der certo?
— Aí a gente faz cesárea. Sem culpa. O importante é você e o bebê saírem bem.
Na saída, Clarinha não falou no elevador. No carro, Beto esperou.
— O que você quer? — ele perguntou.
— Eu queria não ter que escolher.
— Mas precisa.
— Eu sei.
Ela respirou fundo.
— Acho que quero tentar o normal.
— Tem certeza?
— Tenho. Se der problema, a gente muda.
— A gente muda junto.
Ela olhou pela janela.
— É isso. Vou tentar o normal.
Ele apertou a mão dela.
— Vou estar lá. Segurando sua mão.
— Segurando minha mão.
— E não soltando.
*Continua em: livreto-201.md — Comprar o berço e montar o quarto do bebê*