Beto e Clarinha chegaram na sala do curso de preparação para o parto. Oito casais, uma instrutora chamada Sônia, uns trinta anos de experiência.
— Vamos começar com o básico — Sônia disse. — Vocês sabem identificar uma contração de verdade?
Ninguém respondeu.
Sônia ensinou os sinais. Frequência, duração, intensidade. Mostrou um gráfico.
— Contrações de treinamento são irregulares. As de verdade têm ritmo.
Beto anotava tudo.
— A respiração é a ferramenta mais importante — Sônia continuou. — Vamos praticar.
Ela ensinou a respiração lenta. Inspira pelo nariz, conta até quatro, solta pela boca.
— Agora com o parceiro — Sônia instruiu.
Beto ficou na frente de Clarinha.
— Vamos tentar?
Ela colocou as mãos nos ombros dele.
— Inspira. Uma, dois, três, quatro. Solta.
Ela seguiu o ritmo.
— Tô nervosa — ela sussurrou.
— Eu também. Mas a gente treina.
No final da aula, Sônia falou sobre o papel do acompanhante.
— O pai não é espectador. Ele é parte ativa do trabalho de parto. Massagem, respiração, apoio, palavras de encorajamento.
Beto olhou pra Clarinha.
— Vou estar com você o tempo todo.
— O tempo todo?
— Segundo a segundo.
No carro, voltando pra casa, Clarinha estava pensativa.
— O que foi?
— Eu tava com medo do parto. Agora tô menos.
— Menos?
— Menos. — Ela apertou a mão dele. — Saber o que esperar ajuda.
— Ajuda.
Ele ligou o carro. Estavam mais preparados do que antes. E isso já era um começo.
*Continua em: livreto-200.md — Escolher entre parto normal e cesárea*