Clarinha não queria festa grande. Queria algo simples, perto, com as pessoas que realmente importavam.
Luísa assumiu a organização.
— Você só aparece. Eu cuido do resto.
— Luísa, você já tem o Miguel…
— O Miguel dorme na casa da minha mãe nesse dia. Vai ser só sobre você.
O chá foi num sábado à tarde, na casa da Luísa. Decoração modesta, bandeirinhas, balões brancos e dourados. Bolo de cenoura com cobertura de chocolate, salgadinhos, suco.
Clarinha chegou e se emocionou.
— Luísa, tá lindo.
— É o mínimo.
As pessoas foram chegando. Dona Marta trouxe uma cesta com fraldas e pomadas. Seu Antônio, o pai da Clarinha, chegou com uma caixa de madeira que ele mesmo fez.
— É pro enxoval — ele disse, a voz grossa. — Guarda as coisinhas do pequeno.
Clarinha abraçou ele.
No meio da festa, abriram os presentes. Roupas, brinquedos, livros. Cada embrulho era uma surpresa.
Beto ficou o tempo todo do lado dela, segurando a mão.
— Cansada? — ele perguntou.
— Um pouco. Mas feliz.
No final, quando todo mundo foi embora, Clarinha sentou no sofá da Luísa, as pernas doendo.
— Valeu a pena?
— Valeu.
Ela olhou pros presentes empilhados.
— A gente tem tanta coisa.
— A gente tem tanto amor.
Ela sorriu. O bebê ainda não tinha nascido, mas já era cercado de cuidado.
*Continua em: livreto-197.md — Clarinha sentir o bebê mexer pela primeira vez*