Beto chegou em casa com uma lista de duzentos nomes. Literalmente. Ele tinha impresso uma planilha.
— A gente não sabe nem o sexo ainda — Clarinha disse.
— Não importa. Separei por gênero. Feminino, masculino, neutro.
— Neutro?
— Se a criança quiser escolher depois.
Clarinha pegou a planilha. Leu os primeiros nomes.
— Miguel? Não, tem o filho do Carlos e da Luísa.
— Risco.
— Gabriel?
— Muito comum.
— Enzo?
— Pelo amor de Deus.
Ela riu. Continuou descendo a lista.
— E os femininos?
Ele entregou outra folha.
— Helena, Sofia, Alice, Laura…
— Todos no topo do ranking de nomes do Brasil. A criança vai ter mais três com o mesmo nome na sala.
— Mas são bonitos.
— São. Mas quero algo diferente.
Beto coçou a cabeça.
— Diferente tipo quê?
— Não sei. Algo que tenha significado pra gente.
Ele pensou. pegou o celular, pesquisou.
— O que você acha de Rosa?
— Rosa?
— Como sua avó.
Clarinha parou. A avó Rosa tinha morrido quando ela tinha quinze anos. Foi a pessoa mais importante da infância dela.
— Rosa — ela repetiu, o nome pesando na língua.
— Se for menina. — Ele segurou a mão dela. — E se for menino, Antônio. Como seu pai.
Clarinha sentiu os olhos ardendo.
— Você pensou nisso?
— Pensei. — Ele deu de ombros. — Nome tem que ter história.
Ela passou o braço no pescoço dele.
— Rosa ou Antônio.
— Rosa ou Antônio.
— A gente decide quando nascer?
— A gente decide quando nascer.
Ela beijou ele. A lista de duzentos nomes ficou no sofá, esquecida.
*Continua em: livreto-192.md — Primeira consulta do pré-natal*