Como é o parceiro superprotetor na gravidez?

Beto

Beto tinha virado outra pessoa depois que descobriu a gravidez. Clarinha reparou no terceiro dia, quando ele não deixou ela carregar nem a sacola do mercado.

— Beto, a sacola tem dois quilos.

— Não importa.

— Você tá me tratando como se eu fosse de vidro.

— Você tá grávida. É tipo vidro.

Ela revirou os olhos, mas deixou ele carregar.

No trabalho, ele ligava três vezes por dia. Perguntava se ela tinha comido, se tinha descansado, se tinha sentido alguma dor.

— Beto, eu tô no segundo mês. O bebê é do tamanho de um grão de feijão.

— Feijão também precisa de cuidado.

Na consulta do pré-natal, ele levou uma lista de perguntas impressas. A médica riu quando viu.

— O senhor leu a cartilha da gestante?

— Li duas vezes.

— Tá preparado.

— Preparado nunca. Informado sim.

Clarinha apertou a mão dele.

— Ele é assim. Desde o começo.

— Ele vai ser um ótimo pai — a médica disse.

Naquela noite, em casa, Clarinha encontrou Beto no quarto, lendo um livro sobre gravidez no celular.

— Você já leu três livros.

— Esse tem uma parte sobre nutrição que eu não vi nos outros.

Ela deitou na cama, puxou ele pra perto.

— Beto, eu não vou quebrar.

— Eu sei.

— Pode ficar tranquilo.

— Eu sei. — Ele beijou a testa dela. — Mas deixa eu cuidar. Me faz bem.

Ela sorriu. Ele era exagerado, mas era o exagero dela.

*Continua em: livreto-191.md — Escolher o nome do bebê*