Clarinha acordou com o estômago virando. Levantou correndo da cama, quase tropeçando no lençol, e chegou no banheiro a tempo de vomitar.
Ela ficou de joelhos no chão, a testa apoiada na borda da privada. A respiração ofegante.
— Amor? — a voz do Beto veio do quarto.
— Tô bem — ela disse, mas não estava.
Ele apareceu na porta, ainda com o cabelo amassado de dormir. Sentou no chão ao lado dela.
— De novo?
— De novo.
— Esse bebê já tá dando trabalho.
Ela riu fraco. E vomitou de novo.
Beto segurou o cabelo dela, passou a mão nas costas.
— Respira. Devagar. Uma coisa de cada vez.
Ela cuspiu, limpou a boca com o dorso da mão.
— Isso não é normal, Beto. Toda manhã.
— A médica disse que é. Disse que passa depois do terceiro mês.
— Terceiro mês? — Ela gemeu. — Falta seis semanas.
— A gente consegue.
Ela caiu sentada no chão, as costas apoiadas na parede.
— Ainda bem que você trabalha em casa hoje.
— Ainda bem que eu trabalho em casa hoje.
Ele levantou, molhou uma toalha e passou no rosto dela.
— Vou fazer chá de gengibre. Broinha salgada. E você não sai da cama até meio-dia.
— E seu trabalho?
— Meu trabalho é cuidar de você agora.
Ela fechou os olhos. O enjôo tinha passado um pouco.
— Obrigada.
— Não precisa agradecer. — Ele beijou a testa dela. — A gente divide tudo. Até o enjôo.
*Continua em: livreto-190.md — Beto superprotetor nos primeiros meses*