Clarinha esperou Beto guardar a mochila e sentar no sofá. Ele estava falando sobre o trânsito, sobre o chefe, sobre qualquer coisa do dia.
Ela não ouvia nada. Só via a boca dele mexer.
— Beto.
Ele parou de falar.
— Que foi? Tá com cara de quem viu fantasma.
Ela sentou do lado dele. Pegou a mão dele.
— Eu fiz um teste hoje.
O rosto dele mudou. Ele sabia o que significava.
— Teste?
— Teste de gravidez.
Os olhos dele foram pros olhos dela. Ela engoliu seco.
— Deu positivo.
Beto não falou nada. Ficou paralisado. Depois, os olhos dele encheram d'água.
— É verdade?
Ela balançou a cabeça que sim.
— É.
Ele apertou a mão dela. A boca abriu, fechou, abriu de novo.
— Eu vou ser pai?
— Você vai ser pai.
Ele puxou ela pro abraço. Ela sentiu o peito dele tremendo.
— Meu Deus — ele disse, a voz embargada. — Meu Deus, Clarinha.
Ficaram abraçados por um minuto inteiro, os dois tremendo, sem conseguir soltar.
— A gente vai ter um filho — ele disse, ainda segurando ela.
— A gente vai ter um filho.
Ele afastou o rosto pra olhar pra ela.
— Eu te amo.
— Eu também te amo.
Ele riu, enxugou os olhos, riu de novo.
— Cara, eu vou ser pai.
Clarinha sorriu. A notícia tinha sido dada. Agora a vida dos dois ia mudar pra sempre.
*Continua em: livreto-188.md — Primeiro ultrassom juntos*