Clarinha estava sozinha em casa. Beto tinha ido trabalhar. O banheiro estava silencioso, o teste de farmácia em cima da pia.
Ela olhou pro relógio. Três minutos. O tempo que a caixinha mandava esperar.
Quando olhou, as duas linhas estavam lá. Claramente. Não dava pra confundir.
Clarinha sentou no chão do banheiro. O coração batendo forte. A mão tremendo.
Ela riu sozinha. Depois chorou. Depois riu de novo.
— Meu Deus, eu tô grávida.
Ela levantou, andou de um lado pro outro, sentou de novo. Pegou o celular, queria ligar pro Beto na hora. Mas pensou melhor. Tinha que ser pessoalmente.
Guardou o teste na gaveta do criado-mudo. Passou o resto do dia num misto de ansiedade e alegria, contando os minutos pro Beto chegar em casa.
Cada carro que passava na rua fazia o coração disparar. Quando ouviu a chave na porta, ela segurou a respiração.
— Amor, cheguei! — a voz dele veio da sala.
Clarinha levantou. A hora tinha chegado.
*Continua em: livreto-187.md — Contar pro Beto que vai ser pai*