Como apoiar um parente que está tentando engravidar?

Luísa

A mensagem chegou de madrugada. Luísa acordou com o vibrado do celular no criado-mudo, a tela azul iluminando o quarto escuro. Era Clarinha.

*"Consegue falar amanhã?"*

Luísa olhou para o lado. Carlos dormia, o braço esticado no travesseiro. Ela respondeu: *"Pode ser depois do almoço?"*

No dia seguinte, Clarinha apareceu na porta do apartamento às duas da tarde. O rosto dela estava cansado — não o cansaço de quem dormiu mal, mas o cansaço de quem carregava alguma coisa pesada há tempo.

— Entra — Luísa disse.

Clarinha sentou no sofá. Pegou uma almofada, colocou no colo, apertou. O gesto era de quem precisava segurar alguma coisa.

— A gente tá tentando — ela disse. — Faz um ano.

Luísa sentou ao lado. Não falou nada.

— Todo mês é a mesma coisa. Esperar. Torcer. Ficar ansiosa. Depois vem o negativo, e parece que o chão some. — Clarinha riu, sem graça. — E aí todo mundo pergunta: "E aí, quando vem o bebê?"

Luísa lembrou das pessoas que perguntavam a mesma coisa para ela, antes de engravidar. A diferença era que ela tinha engravidado rápido.

— Eu não sabia — Luísa disse.

— Ninguém sabe. A gente não conta. Fica sofrendo sozinha.

Luísa colocou a mão no ombro de Clarinha. O gesto era simples, mas a cunhada apoiou a cabeça no ombro dela como se fosse o lugar mais seguro do mundo.

— O que você precisa de mim? — Luísa perguntou.

— Nada. — A voz dela falhou. — Só não quero que você suma. Minha amiga engravidou e sumiu de mim. Disse que era difícil pra ela ver amigas grávidas.

— Eu não vou sumir.

— Mas você tá grávida.

— E você é minha cunhada. A tia do bebê. — Luísa apertou o ombro dela. — A gente vai fazer o seguinte: você decide como quer participar. Se quer vir nos exames, se quer ajudar a escolher nome, se quer só almoçar com a gente no domingo. Você escolhe.

— E se eu não quiser ver barriga?

— A gente faz almoço de costas uma para a outra.

Clarinha riu. Um riso chorado.

— Você é muito besta.

— É que eu sou a cunhada favorita.

Clarinha secou os olhos. O sol da tarde entrava pela cortina, desenhando um losango de luz no chão.

— Obrigada — ela disse.

— De nada.

— E desculpa ter desabafado assim, do nada.

— Não precisa pedir desculpa. — Luísa segurou a mão dela. — Quando você quiser falar, eu escuto. Quando não quiser falar, a gente fica em silêncio junto.

Clarinha apertou a mão dela de volta.

— Você vai ser uma ótima mãe.

Luísa sentiu o peito quente.

— Você também vai ser, quando chegar sua hora.

O silêncio entre as duas era confortável. Na cozinha, a chaleira começou a apitar. Luísa levantou para fazer chá, e Clarinha ficou no sofá, a almofada ainda no colo, mas o rosto mais leve do que quando chegou.

*Continua em: livreto-178.md — Contar aos pais que está grávida*