Como dividir os custos dos filhos com o parceiro?

Carlos

Carlos abriu a planilha no laptop. As contas do mês estavam todas ali — escola do Miguel, curso do Pedro, plano de saúde, material, roupas, lazer.

Luísa chegou com duas xícaras de café. Colocou uma na mesa.

— Tá vendo as contas?

— Tô.

— E aí?

— Aí que esse mês passou do orçamento.

Ela sentou do lado. Olhou a tela.

— Onde estourou?

— O curso do Pedro. Teve taxa extra do material.

— Isso foi na semana passada.

— Foi.

— E o Miguel? A escolinha?

— Normal. O aumento foi no plano.

— Todo ano aumenta.

— Todo ano.

Ela mexeu o café.

— A gente precisa rever a divisão.

Carlos virou pra ela.

— Do que?

— Dos custos. — Ela apontou a tela. — Cada um paga uma parte. Mas algumas contas tão desbalanceadas.

— Você acha que eu pago pouco?

— Acho que a gente paga sem conversar.

Ele pensou.

— Desde quando a gente não conversa?

— Desde que o Miguel nasceu. A gente divide, mas não discute se a divisão ainda faz sentido.

— Faz sentido?

— Fazia. — Ela bebeu o café. — Mas seu salário aumentou. O meu também. As despesas mudaram.

— E o que você propõe?

— Vamos rever. Cada um coloca o que pode. Não o que sempre colocou.

Carlos olhou a tela. A planilha. Os números.

— Você quer dividir igual?

— Quero dividir justo. — Ela colocou a xícara na mesa. — Igual é cada um pagar metade. Justo é cada um pagar uma proporção.

— Proporcional?

— Isso. Quem ganha mais, paga mais.

— E quem ganha menos?

— Paga menos. Sem culpa.

Ele ficou em silêncio.

— Sempre foi assim no meu casamento anterior? — ele perguntou.

— Não sei.

— Não. — Ele passou a mão na nuca. — A ex queria metade. Não importava quanto cada um ganhava.

— E isso era ruim?

— Era. Eu ganhava mais, mas pagava a mesma coisa. Sobrava mais pra mim. Ela ficava apertada.

— E você não falava?

— Falava. Ela dizia que era justo.

— Não era.

— Não era.

Ela colocou a mão na perna dele.

— Aqui é diferente.

— Eu sei.

— A gente pode fazer diferente.

— Acho que sim.

Ela abriu a calculadora.

— Quanto você ganha?

Ele falou o valor.

— Quanto eu ganho?

Ele falou.

— Quanto a gente gasta com os meninos?

Ele mostrou a planilha.

— Então a gente divide proporcional. — Ela calculou. — Você paga 60%. Eu pago 40%.

— E depois?

— Depois cada um administra o resto como quiser. Sem culpa. Sem cobrança.

— E se um de nós ganhar mais?

— Revisa.

— E se um de nós ganhar menos?

— Revisa também.

Carlos olhou a tela. Os números tinham mudado. A divisão era outra.

— Parece certo.

— É certo? — ela perguntou.

— Acho que sim.

— Acho ou tem certeza?

— Tenho. — Ele tomou o café. — A gente divide o que tem. Junta o que pode. Cuida do que é nosso.

— Junto?

— Junto.

Ela fechou o laptop.

— Então fechado.

— Fechado.

As xícaras vazias na mesa. Fora da planilha, o barulho do Miguel brincando no quarto.

Era isso. Dividir não era sobre números. Era sobre confiança.

*Continua em: livreto-159.md — Luísa — Planejar chegada de filho financeiramente*