Como lidar com os gastos de um filho adolescente?

Luísa

O celular vibrou na mesa do escritório. Luísa olhou a tela: Pedro.

— Fala, Pedrão.

— Lu, cê pode passar no mercado? Preciso comprar material pro trabalho da escola.

— Que material?

— Cartolina, cola, caneta colorida, isopor.

— Isso não dá pra comprar amanhã?

— Entrega segunda. E eu preciso começar hoje.

Luísa olhou o relógio. Quatro e meia. O projeto que ela tinha que entregar até as seis.

— Tô no trabalho, Pedro.

— Eu sei. Mas é rápido.

— Quanto custa?

— Cinquenta, sessenta reais.

— Você tem dinheiro?

— Gastei a mesada.

— Gastou quando?

— Sexta.

— Pedro, a mesada é pro mês.

— Eu sei. Mas teve um rolê.

Luísa suspirou. A tela do computador piscava.

— Tudo bem. Eu passo no caminho.

— Valeu, Lu.

— Mas a gente conversa depois.

— Conversa.

Ela desligou. Passou a mão no rosto.

Sessenta reais. Cartolina, cola, caneta colorida.

Ela sabia que não era o material que pesava. Era o padrão.

Quando chegou em casa, o Pedro já tinha separado a mesa da sala. Os livros abertos. O caderno rabiscado.

— Trouxe. — Luísa largou a sacola na mesa.

— Valeu mesmo, Lu.

— Senta.

Ele sentou.

— Não é sobre o material. — Ela puxou a cadeira. — É sobre a mesada acabar no começo do mês.

— Eu sei.

— A gente conversou sobre planejamento.

— Eu sei.

— E você não planejou.

Ele baixou a cabeça.

— O rolê foi caro.

— Quanto?

— Oitenta reais. Comi fora, fui no cinema.

— Um dia.

— Um dia.

Luísa apoiou os cotovelos na mesa.

— Pedro. Você não precisa parar de sair. Mas precisa aprender a dividir o dinheiro.

— Como?

— Tira o essencial primeiro. O que você precisa comprar no mês. Depois divide o que sobra.

— E se não sobrar?

— Aí você não sai.

Ele ficou em silêncio.

— É difícil.

— É. — Ela inclinou a cabeça. — Mas é melhor aprender agora com trezentos reais do que depois com o salário inteiro.

Ele riu. Foi um riso amargo.

— Você é chata.

— Eu sei.

— Mas tem razão.

— Sempre tenho.

Ele riu de novo. Dessa vez mais leve.

— Próximo mês, eu vou separar o dinheiro do material antes.

— E se sobrar?

— Aí eu saio.

— Boa.

Ela levantou. Olhou a mesa cheia de material.

— Preciso de ajuda com o trabalho?

— É sobre energia sustentável.

— Sei nada disso.

— Eu também não. — Ele abriu a cartolina. — Mas vou aprender.

— Aprender é o que importa.

Ela deixou ele trabalhando. Na cozinha, preparou café. Olhou pela janela.

Adolescente era caro. Não só de dinheiro. De paciência também.

Mas quando ele acertava, o gasto virava investimento.

*Continua em: livreto-158.md — Carlos — Dividir custos dos filhos com parceiro*