Como lidar com crianças bagunceiras em reuniões familiares?

Luísa

A reunião na casa da sogra era pra ser um almoço simples. Mas com o Miguel e os primos correndo pela sala, o almoço virou parque de diversões.

— Miguel, tira o pé do sofá — Luísa disse.

Ele tirou. Subiu de novo.

— Miguel.

— Tô brincando!

— Pisa no chão.

Ele desceu. Cinco segundos depois, estava de novo no sofá, agora pulando.

O primo Davi, dois anos mais velho, passou correndo e esbarrou no abajur. A Dona Lúcia segurou no ar.

— Gente, devagar! — ela pediu.

As crianças pararam por um minuto. Depois voltaram.

Carlos chegou perto de Luísa.

— Tá tensa?

— Tô.

— Quer que eu falo?

— Já falei.

— E não adiantou?

— Adiantou por cinco segundos.

— Criança tem memória curta.

— Eu sei. Mas cansa.

A Clarinha, do outro lado, olhava a cena sem comentar. O que era pior do que se ela comentasse.

— O melhor é criar uma regra clara no começo — Luísa disse.

— Agora é tarde.

— Nunca é tarde.

Ela levantou. Foi até o centro da sala. Bateu palma.

— Crianças, atenção!

Os meninos pararam.

— A gente vai fazer uma brincadeira. Mas primeiro: ninguém sobe no sofá. Combinado?

— Combinado! — o Davi respondeu.

O Miguel só balançou a cabeça.

— Se alguém subir, vai ficar cinco minutos sentado na cadeira da cozinha.

— Isso é castigo? — o Davi perguntou.

— É combinado. Castigo é outra coisa.

— O que a gente vai brincar?

— Vamos ver quem consegue ficar mais tempo imitando estátua.

Os meninos se entreolharam.

— Sem se mexer? — o Davi perguntou.

— Sem piscar.

A brincadeira começou. As crianças congelaram no meio da sala.

Luísa voltou pra mesa.

— Como você faz isso? — Carlos perguntou.

— Distração. Limite claro. Consequência na frente. — Ela pegou o copo. — Aprendi na prática.

O almoço seguiu. As crianças correram de novo, mas não subiram mais no sofá.

No final, na hora de ir embora, a Dona Lúcia segurou a mão de Luísa.

— Você tem jeito com eles.

— Obrigada.

— É paciente.

— Treino.

— Não é treino. É escolha.

Luísa apertou a mão dela.

No carro, o Miguel já dormia no banco de trás, o cabelo suado, a boca entreaberta.

— Cansou — Carlos disse.

— A gente também.

Ele deu a partida.

— Próxima reunião, levo um cronômetro.

— Próxima reunião, a gente marca na casa da gente.

— Menos bagunça?

— Menos parente pra comentar.

Ele riu.

— Fechado.

*Fim da cena: bebê crescendo — próximos: 146-166*