O que fazer quando uma criança desaparece?

Luísa

O parque estava cheio de crianças. Sexta à tarde, sol fraco, o cheiro de grama molhada. Luísa sentou no banco enquanto o Pedro brincava no escorregador. O Miguel dormia no carrinho.

Ela abriu o livro. Leu três páginas. Levantou a cabeça.

O escorregador estava vazio.

Ela olhou em volta. Balanço. Gangorra. Areia. Nada.

— Pedro?

Levantou. Andou até o escorregador. Olhou no túnel. Vazio.

— Pedro!

A voz saiu alta. Uma mãe num banco próximo olhou.

— Perdeu o menino?

— Ele estava aqui — Luísa disse. — Agora mesmo.

— Qual a idade? O que ele tá vestindo?

— Sete anos. Camiseta azul clara. Calça jeans. Tênis.

A mãe levantou. — Vou te ajudar. Você fica aqui. Eu cubro o outro lado.

Luísa queria correr, mas lembrou do que o segurança falou no shopping. *Fica parada. Se ele voltar, você precisa estar onde ele te viu.*

— Miguel — ela chamou o nome do filho em voz alta. — Pedro! Se você ouvir, fala alguma coisa!

Nada.

O parque não era grande. Ela enxergava de ponta a ponta. As crianças corriam, mas nenhuma tinha a camiseta azul clara.

O coração apertou.

— Pedro!

Cinco minutos. Nada.

A mãe voltou. — Não achei. Vou chamar a segurança.

— Espera. — Luísa fechou os olhos. Pensou. Onde ele iria? O que ele mais gosta?

O cachorro.

Tinha um morador de rua que passava todo fim de tarde com um vira-lata caramelo. Eles viram na entrada do parque.

Ela correu pra entrada. Não estava mais ali.

— O homem com o cachorro! — ela perguntou pra moça do food truck. — Viu pra onde foi?

— Foi pra rua de cima. O menino foi atrás.

Luísa correu.

Duas quadras depois, encontrou Pedro sentado no meio-fio, o cachorro caramelo ao lado, o dono do cachorro acariciando a cabeça do menino.

— Pedro!

Ele virou. — Olha, mãe. O cachorro.

Ela ajoelhou na frente dele. Ofegante.

— Você sai da minha vista assim não.

— Mas eu só queria ver o cachorro.

— Pedro, você tem que falar. Não pode sumir assim.

O dono do cachorro se desculpou. — Desculpa, moça. Ele veio sozinho. Eu achei que a senhora vinha atrás.

— A culpa não é sua. — Ela segurou a mão do Pedro. — Vem.

Voltaram pro parque. Pedro olhou pra trás, pro cachorro.

— Eu não vou fugir, mãe. Só queria fazer carinho.

— Da próxima, você fala. A gente vai junto. Combinado?

— Combinado.

Luísa apertou a mão dele. E não soltou até chegar em casa.

*Continua em: livreto-126.md — Carlos — Pedir ajuda desaparecida*