Como e quando pedir ajuda numa emergência com bebê?

Carlos

Carlos olhou o relógio. Duas da manhã. O Miguel estava com febre desde a noite anterior. O antitérmico tinha baixado, mas voltou. E agora o menino respirava diferente.

Um chiado.

— Luísa.

Ela acordou na hora. — O que foi?

— Escuta.

Os dois ficaram em silêncio. O chiado vinha do berço. Fraco, mas claro.

— Isso não é normal — Carlos disse.

— O que a gente faz?

— Liga pro pediatra.

Carlos pegou o celular. Achou o número do plantão. O telefone chamou três vezes antes de atenderem.

— Plantão Pediátrico.

— Meu nome é Carlos. Meu filho, Miguel, tem um ano. Febre de trinta e nove desde ontem. Demos antitérmico, baixou, subiu de novo. Agora ele tá com chiado na respiração.

A voz da enfermeira foi calma. — O senhor pode descrever o chiado?

— Parece um apito. Fraco. Toda vez que ele expira.

— Ele tá corado? Lábios roxos?

— Não. Rosado.

— Tá consciente? Responde quando chamam?

— Sim. Acordou agora, tá chorando.

— Chorando bem? Forte?

— Forte.

— OK. O senhor pode trazer ele no pronto-socorro infantil. Mas não é emergência extrema. Dá tempo de preparar a bolsa, levar numa boa. Se o chiado piorar ou ele ficar muito molinho, aí chama o SAMU.

— SAMU é 192?

— Isso.

— Obrigado.

Ele desligou. Olhou pra Luísa.

— Vamos pro hospital. Mas sem correria. Ela falou que dá tempo.

— Você ligou.

— Liguei.

— Eu não teria conseguido. Estou em pânico.

— Eu também. Mas liguei mesmo assim.

Ela riu sem graça. — Eu preciso aprender.

— A gente precisa ter o número do pediatra no gelo. E saber que não é vergonha ligar. Qualquer hora.

— Mesmo de madrugada?

— Principalmente de madrugada. É pra isso que existe plantão.

Carlos pegou a bolsa de emergência — a que eles deixavam pronta, com documentos, fraldas, roupa extra.

— Vamos.

No carro, o Miguel chorou o caminho inteiro. Mas o chiado não piorou. No pronto-socorro, a pediatra atendeu em quinze minutos. Disse que era bronquiolite. Passou inalação. Não precisou internar.

Na volta, o sol já estava nascendo.

Carlos dirigia com uma mão. A outra segurando a mão da Luísa.

— A gente deu conta — ele disse.

— A gente deu.

*Continua em: livreto-123.md — Luísa — Criança engasgada*