O que fazer em uma emergência com o bebê?

Luísa

O Miguel estava deitado no trocador quando a febre apareceu. Um minuto antes ele brincava. Agora o corpinho queimava, os olhos vidrados, a respiração rápida.

— Carlos! — Luísa chamou.

Ele veio correndo do escritório. — O que foi?

— A febre. Muito alta, ele não responde direito.

Carlos tocou a testa do menino. — Tá muito quente.

— O que eu faço?

— Mede a temperatura.

Luísa pegou o termômetro. Colocou no Miguel. Ele nem reagiu. O olhar perdido.

— Trinta e nove e meio — ela leu.

O coração acelerou. Ela lembrou das aulas de primeiros socorros, do que a pediatra falou. Mas na hora, tudo parecia distante.

— Veste ele leve — Carlos disse. — Dá um banho morno. Depois a gente decide se leva pro hospital.

— E se for convulsão?

— Se for, a gente sabe o que fazer. Vira ele de lado. Não coloca nada na boca. Cronometra. Chama resgate.

— Você decorou tudo?

— Li no mesmo folheto que você. Domingo passado.

Ela não lembrava. A preocupação tinha apagado o resto.

Carlos já estava enrolando o Miguel num pano leve. — Vem. Vamos pro banheiro.

Ela seguiu. Abriu o chuveiro. Água morna, não quente. Colocou a mão pra testar.

Carlos colocou o Miguel debaixo da água. O menino gemeu. Começou a chorar.

— Choro é bom — Luísa disse. — Significa que tá respondendo.

Ela passou a mão no peito dele. A temperatura ainda alta, mas o choro era forte.

— Depois do banho a gente dá antitérmico — Carlos disse.

— E se não baixar?

— A gente leva no hospital.

O banho durou cinco minutos. Luísa secou o Miguel. Colocou uma fralda leve. Carlos deu o remédio com a seringa.

Meia hora depois, a febre começou a ceder. O Miguel voltou a olhar pra eles. A choramingar. A querer o peito.

Luísa sentou no sofá com ele. O coração ainda batia rápido.

— Você leu o folheto? — ela perguntou.

— Li.

— E não falou nada?

— Falei. Você não ouviu. Tava na sua cabeça.

— É verdade. — Ela apoiou a bochecha na cabeça do Miguel. — Preciso revisar os procedimentos.

— A gente revisa junto. Sábado.

— Sábado.

O Miguel adormeceu no colo dela. O peito subindo e descendo. Normal.

*Continua em: livreto-122.md — Carlos — Pedir ajuda emergência bebê*