Como pedir ajuda quando a criança está perdida?

Carlos

Carlos recebeu a ligação no escritório. O número da Luísa. Ele atendeu.

— Carlos.

— Oi. Aconteceu uma coisa.

O estômago dele virou. — O quê?

— O Pedro se perdeu no shopping. Por um minuto.

— Como assim?

— Já achou. Tá tudo bem. Mas eu... — a voz dela falhou. — Eu não sabia o que fazer. Fiquei desesperada.

— Você achou ele?

— Um segurança ajudou. E um casal segurou ele.

— Você tá bem?

— Não. — Ela riu sem graça. — Acho que não.

— Onde vocês estão?

— Na praça de alimentação. Comendo um sorvete.

— Fica aí. Vou sair mais cedo.

— Não precisa.

— Preciso.

Ele desligou. Pediu pra sair mais cedo pro Carlos. Disse que era família. Carlos só acenou que sim.

Quando chegou no shopping, encontrou eles na mesa da praça de alimentação. O Pedro comendo sorvete de chocolate. O Miguel no colo da Luísa. Ela com o olho vermelho.

Ele sentou. — E aí, Pedro. O que aconteceu?

— A mamãe se perdeu.

— Eu ouvi uma versão diferente.

— Parei no sorvete. Ela continuou andando.

Carlos olhou pra Luísa. Ela deu de ombros.

— O importante é que deu tudo certo — ele disse. — Mas a gente precisa combinar um plano. Se acontecer de novo.

— Não vai acontecer de novo — Luísa disse.

— Vai, se acontecer. E se for com o Miguel?

Ela ficou em silêncio.

— Pedro — Carlos virou pro filho. — Se você se perder de novo, o que faz?

— Fico no lugar.

— Isso. Fica parado. Não anda. Não procura a gente. Porque se você anda, a gente anda também, e fica mais difícil.

— E se demorar?

— Grita. Grita o nome da mamãe ou do papai. Mas não sai do lugar.

— E se alguém falar pra eu ir com ele?

— Não vai. Só vai com segurança ou polícia. E pede pra pessoa chamar um segurança.

Pedro repetiu: — Fico parado. Grito. Só vou com segurança.

— Isso.

Carlos passou a mão na cabeça do filho. — Você lembra do número do meu celular?

Pedro repetiu de cor. Sabia desde os seis anos.

— Se precisar, pede pra alguém ligar. Mas não sai do lugar.

— Tá bom.

Luísa encostou a cabeça no ombro do Carlos.

— Obrigada por vir.

— Sempre.

*Continua em: livreto-121.md — Luísa — Emergência com bebê*