O shopping estava lotado. Sábado à tarde. Luísa segurava o Miguel no colo e, por um segundo, soltou a mão do Pedro para pegar a chupeta que caiu.
Quando levantou a cabeça, ele não estava mais ali.
— Pedro?
Ela olhou em volta. As pernas das pessoas. Carrinhos. Sacolas. Crianças. Nenhum sinal do menino.
— Pedro!
O coração disparou. Ela apertou o Miguel contra o peito. Olhou para os dois lados. Nada.
— Senhora, perdeu o menino? — um segurança apareceu.
Ele devia ter visto o desespero no rosto dela.
— Meu filho — a voz falhou. — Ele estava aqui. Do meu lado.
— Qual a idade? O que ele tá vestindo?
— Sete anos. Camiseta azul clara. Calça jeans. Tênis branco.
O segurança falou no rádio. Descreveu o Pedro. Pediu que fechassem as saídas.
— A senhora fica aqui. Não anda. Se ele voltar, você precisa estar onde ele te viu pela última vez.
Luísa obedeceu. Ficou parada. O coração parecia que ia sair pela boca. O Miguel começou a chorar, sentindo o nervosismo dela.
— Tá tudo bem — ela disse, mais pra si mesma que pra ele.
Três minutos. Foram os três minutos mais longos da vida dela.
O segurança voltou. — Encontraram. Tá no quiosque de sorvete, com um casal. Achou ele andando sozinho e segurou.
Ela correu. Não esperou o segurança acompanhar.
Quando chegou, Pedro estava sentado num banco, um copo de sorvete na mão, o olho vermelho.
— Pedro!
Ele levantou. Abraçou ela com força.
— A senhora se perdeu — ele disse, a voz abafada no ombro dela.
— Foi você que se perdeu.
— Não, eu parei no sorvete. Você que continuou andando.
Luísa apertou ele. Não ia corrigir.
O casal que segurou ele se aproximou. — A gente viu ele sozinho e não deixou sair do lugar.
— Muito obrigada — Luísa disse. A voz ainda tremia.
— Procedimento padrão — o homem respondeu. — A senhora fez bem em avisar o segurança rápido.
Luísa sentou no banco. O Miguel no colo. Pedro do lado. Ela respirou fundo três vezes antes de conseguir falar.
— Nunca mais sai da minha frente.
— Não vou.
Ela beijou a cabeça dele.
*Continua em: livreto-120.md — Carlos — Pedir ajuda para criança perdida*