Carlos estava na porta do prédio, a cadeirinha do Miguel numa mão, a bolsa de fraldas na outra. O celular mostrava: *Motorista a 2 minutos.*
Ele pediu o carro com a opção *cadeira de bebê* ativada. Mas já tinha ouvido histórias de motoristas que cancelavam quando viam a cadeirinha.
O carro chegou. Um Prata. O motorista desceu. Olhou a cadeirinha.
— Isso vai no banco de trás?
— Vai, sim. Prende com o cinto de segurança.
— É muito grande?
— É padrão. Cabe.
O motorista coçou a nuca. — Tá, mas se sujar o banco...
— Não vai sujar. Ela é limpa, uso só com o Miguel.
— E o tempo que leva pra instalar?
— Dois minutos. No máximo.
O motorista hesitou. Carlos sentiu a resposta pronta na língua — *então cancela, eu peço outro.* Mas ele respirou fundo. Mudou de abordagem.
— Olha — ele disse, mais calmo. — Eu entendo que é um incômodo. Mas a cadeirinha é obrigatória por lei. E é a segurança do meu filho. Se o senhor puder esperar só dois minutinhos, eu instalo rápido. E garanto que não suja nada.
O motorista olhou pro celular. Olhou pra cadeirinha. Suspirou.
— Tá, mas rapidinho.
— Combinado.
Carlos abriu a porta traseira. Prendeu a cadeirinha no lugar. Passou o cinto. Apertou. Testou com a mão. Firme.
O Miguel já estava no colo da Luísa, que tinha descido com ele.
— Pronto — Carlos disse.
Ela colocou o Miguel na cadeirinha. Ajustou o cinto. O menino resmungou, mas aceitou.
Carlos sentou no banco da frente. Deu bom dia pro motorista.
— Obrigado pela paciência.
— É seu primeiro? — o motorista perguntou.
— É.
— Meu segundo tem cinco. Eu lembro como é. — Ele engatou a marcha. — Na próxima, já sabe. Fala na hora do pedido que é bebê pequeno. Alguns motoristas preferem porque sabem que vai ter cadeirinha e já vêm preparados.
— Valeu a dica.
O carro seguiu. No banco de trás, o Miguel já dormia.
*Continua em: livreto-119.md — Luísa — Criança perdida — como agir*