O que fazer quando não tem assento para bebê disponível?

Carlos

Carlos entrou no avião e viu o problema. O assento marcado era janela. No colo, o Miguel já estava inquieto. O carrinho foi despachado. Não tinha assento extra pra ele.

— Senhor, pode guardar a bagagem — a comissária disse.

Ele colocou a mochila no compartimento. Sentou. O Miguel no colo. O braço ficou preso entre o corpo da criança e a poltrona da frente.

Luísa sentou do lado. Olhou pra ele.

— Tá apertado?

— Tá.

— Quer trocar?

— Não. Vai dar certo.

Não deu. Dez minutos de voo e o Miguel começou a se debater. A posição era desconfortável pros dois. O braço de Carlos dormiu. O calor do corpo do menino grudava na camisa.

Uma senhora do lado, no corredor, percebeu.

— Moço, a senhora pode pedir o assento vazio — ela disse, apontando com a cabeça pra fileira de trás.

— Como?

— Pergunta pra comissária se tem assento livre. Eles podem liberar pra você.

Carlos hesitou. Ele não queria incomodar. Mas o Miguel já estava com o rostinho vermelho de irritação.

Ele chamou a comissária. Baixo.

— Moça, tem algum assento vazio no voo?

Ela olhou o painel. — Tem, sim. Fileira dezenove, janela. Só separei. Quer?

— Pode ser?

— Claro. O senhor fica mais confortável com o bebê.

Ele levantou com o Miguel. Andou até a fileira dezenove. Sentou. O Miguel se espreguiçou no colo, o corpo encontrando espaço. Ele bocejou. Fechou os olhos.

Carlos olhou pela janela. As nuvens passando.

Às vezes, ele pensou, o problema não é não ter solução. É não pedir.

*Continua em: livreto-117.md — Luísa — Água morna para o bebê*