Como funciona a política de acompanhante em consultas e exames?

Carlos

O Miguel tinha consulta no pediatra. Exame de rotina. Nada grave.

Carlos saiu do trabalho mais cedo. Chegou em casa, pegou o Miguel, a mochila com fralda e mamadeira.

— Vou sozinho — ele disse.

— Tem certeza? — Luísa perguntou.

— É consulta simples. Fico eu e ele.

No hospital, a recepcionista pediu os documentos.

— Acompanhante? — ela perguntou.

— Sou o pai.

— Pode entrar. Só o acompanhante.

Ele entrou. Achou que era simples.

Na sala de espera, uma mãe com dois filhos pequenos tentava acalmar o mais novo. O outro corria entre as cadeiras.

— Você vem sozinho? — ela perguntou.

— Vim. Só tenho um.

— Sortudo. O meu marido teve que trabalhar. Fico sozinha com os dois.

— É difícil?

— É uma ginástica.

Carlos olhou pro Miguel. O bebê dormia tranquilo no colo.

Quando o pediatra chamou, Carlos entrou. A consulta correu bem. O Miguel cresceu, ganhou peso, está saudável.

— Tá ótimo — o pediatra disse. — Mas vamos precisar de um exame de sangue daqui três meses. Rotina.

— Precisa de acompanhante?

— Pode ser pai ou mãe. Mas só um.

— Só um?

— Política do hospital. Um acompanhante por paciente. Criança só pode um responsável na sala de exame.

Carlos anotou mentalmente. Precisava planejar.

Em casa, contou pra Luísa.

— Exame de sangue daqui três meses.

— Vamos os dois.

— Só pode um.

— Um só?

— Um. Política do hospital.

— Então você vai.

— Por que eu?

— Porque você segura melhor. Eu desmaio com agulha.

— Sério?

— Juro. Desde pequena. Desmaio.

Carlos riu. — Sério que você nunca me falou?

— Vergonha.

— Então vou eu. Mas você espera na sala.

— Claro. — Ela tocou o ombro dele. — E leva a dedeira dental. Ele gosta de morder quando tá nervoso.

— Boa dica.

No dia do exame, Carlos chegou cedo. O Miguel no colo. A dedeira no bolso.

Na sala de espera, outras crianças. Umas chorando. Outras brincando.

Quando chamaram, Carlos levantou.

O Miguel apertou o ombro dele. Nervoso.

— Calma, filho. É rapidinho.

Ele entrou. O médico preparou a agulha. O Miguel começou a chorar.

Carlos colocou a dedeira no dedo. O Miguel mordeu. Chorou. Mas não se debateu.

— Pronto — o médico disse. — Corajoso.

O Miguel soluçava. Carlos apertou ele contra o peito.

— Acabou, filho. Acabou.

No corredor, Luísa esperava. Pegou o Miguel. O menino parou de chorar.

— Foi difícil? — ela perguntou.

— Foi. Mas a gente conseguiu.

— Os dois.

— Os dois.

*Fim da cena: bebê crescendo — cada desafio, um aprendizado a dois.*