A sala de espera do dentista tinha um aquário com peixes laranja. O Miguel, no colo de Luísa, apontava.
— Peixe — ele disse.
— Peixe — ela repetiu.
O Pedro estava sentado ao lado, com a ficha na mão.
— Por que eu tenho que vir no dentista se não dói nada? — ele perguntou.
— Porque dente não avisa. Quando dói, já é tarde.
— Tô com cárie?
— Não sei. Por isso a gente veio.
O assistente chamou. — Pedro Almeida?
—
Dentro do consultório, o dentista, um homem de óculos redondos, cumprimentou os dois. Examinou o Pedro. Falou sobre escovação, fio dental, redução de açúcar.
— Os molares dele estão com os sulcos profundos — o dentista disse. — Recomendo selante.
— Selante? — Luísa repetiu.
— É uma resina que a gente aplica nos dentes molares. Fecha os sulcos onde a escova não alcança. Previne cárie.
— Dói?
— Não. Aplicação rápida. Seca o dente, aplica a resina, endurece com luz. Pronto.
Luísa olhou pro Pedro. — O que acha?
— Cê tá perguntando pra mim?
— É teu dente.
Ele pensou. — Se não dói, pode fazer.
—
O dentista aplicou o selante em vinte minutos. Pedro ficou de boca aberta, olhando pro teto.
Luísa observava. O Miguel no colo, curioso.
— E bebês? — ela perguntou. — Quando começar?
— Assim que nascer o primeiro dente. A gente limpa com gaze. Primeira consulta com um ano. A partir dos seis anos, selante nos molares permanentes.
— E o Miguel?
— Trouxer com um aninho. A gente avalia.
—
No carro, de volta pra casa, Pedro passou a língua nos dentes.
— Estranho. Liso.
— É o selante.
— Não sinto nada.
— É porque não tem nervo. Só resina.
— E dura quanto tempo?
— Anos. E protege contra cárie.
— Por que ninguém me falou disso antes?
— Porque ninguém te trouxe. — Luísa deu a partida. — Agora você sabe. E quando tiver filho, já leva cedo.
— Muito longe.
— Passa rápido. Daqui a pouco você é adulto.
Pedro olhou pela janela.
— Você vai trazer o Miguel quando ele tiver um ano?
— Vou.
— Posso vir junto?
Luísa sorriu. — Pode.
*Continua em: livreto-112.md — Carlos — Cuidar dos dentes do bebê*