Como lidar quando alguém bebeu demais em uma reunião social?

Carlos

O churrasco na casa do Beto estava animado. Música, crianças correndo, o cheiro de carne na brasa.

Carlos estava no quintal, o Miguel no colo, quando viu o tio André pegar a terceira lata de cerveja em menos de uma hora. A voz já estava mais alta. O riso mais solto.

— Vou brindar com meu sobrinho — André disse, aproximando a lata do Miguel.

— André, ele é bebê — Carlos riu, desviando.

— Brincadeira.

André bebeu mais um gole. O olho vermelho.

Mais tarde, André começou a repetir as mesmas histórias. A esposa dele, Tia Solange, tentava desviar. Ele não percebia.

Na mesa de doces, ele derrubou um copo de refrigerante. A criança do vizinho limpou o sapato.

— Vou chamar um carro — Carlos disse baixinho pro Beto.

— Pra quê?

— André não pode dirigir.

— Ele tá bem.

— Beto, ele bebeu três latas em quarenta minutos.

Beto olhou pro cunhado. A fala arrastada. As mãos largas gesticulando sem rumo.

— É. Melhor chamar.

Carlos se aproximou. — André, pedi um carro. Vai ser mais tranquilo.

— Tô bem. Dirijo.

— Eu sei que tá bem. Mas Solange também bebeu. O carro é grande. Melhor ir de Uber.

André franziu a testa. — Você acha que eu não posso dirigir?

— Acho que você bebeu. E que bebida e volante não combinam.

André ficou sério. O ar mudou.

— Tudo bem — ele disse, se recompondo. — Vou de carro.

— Não, vai de Uber. O carro fica aqui. Amanhã você busca.

Solange concordou com a cabeça. André olhou pra ela. Olhou pro Carlos. Respirou fundo.

— Tá bom.

O carro chegou cinco minutos depois. André saiu cambaleando leve. Solange segurou o braço dele.

— Obrigada — ela disse pra Carlos.

— Tudo bem.

De volta ao churrasco, Beto serviu mais carne.

— Você não devia ter se metido — Beto disse.

— Se fosse você com três latas, teria falado também.

Beto abriu uma lata de refrigerante. — Ele vai ficar puto amanhã.

— Prefiro ele puto a ele vivo depois de bater o carro.

O som do churrasco continuou. Crianças rindo. Música no fundo.

Carlos pegou o Miguel no colo de novo. O bebê dormia tranquilo.

— É disso que ele vai lembrar — Carlos disse. — Do tio que cuidou pra ninguém se machucar.

*Continua em: livreto-107.md — Luísa — Não beber sem explicar*