Sábado de manhã. O Pedro chegou com a mochila nas costas. Cumprimentou Luísa com um beijo no rosto. Pegou o Miguel no colo. O bebê riu.
— Tá maior — ele disse.
— Tá um touro — Carlos respondeu.
Pedro sentou no sofá com o irmão. O Toby pulou no colo também.
Carlos observava da cozinha. O café passando. A cena parecia completa.
Mas no domingo à noite, quando ele levou Pedro de volta, a dinâmica mudou.
—
— Semana que vem sua mãe vem buscar você — Carlos disse no carro.
— Eu sei.
— Tá tudo bem?
— Tá.
Pedro olhou pela janela. O movimento da rua passava rápido.
— Ela perguntou da Luísa — ele disse.
— Perguntou o quê?
— Se ela cuida bem de mim.
Carlos apertou o volante. — E o que você respondeu?
— Que cuida.
— Só isso?
— Falei que ela é legal. Que o Miguel é bonito.
— E ela?
Pedro deu de ombros. — Ela fala que Luísa não é minha mãe.
O silêncio encheu o carro.
— Você sabe que não é — Carlos disse. — Mas ela cuida de você como se fosse.
— Eu sei.
— E sua mãe…
— Ela fica com ciúme. Eu entendo.
—
Na segunda, Carlos chegou do trabalho mais cedo. Luísa estava no escritório, mexendo num layout. O Miguel no cercadinho.
Ele sentou na beirada da cama.
— O Pedro comentou uma coisa.
— O quê?
— Que a ex pergunta sobre você. Sobre como você cuida dele.
Luísa parou de digitar. — E o que você falou?
— Não falei nada. Não soube.
— O que você queria falar?
Carlos pensou. — Que eu confio em você. Que você não substitui ninguém. Que o Pedro tem mãe. E que você é a madrasta dele.
— Madrasta soa mal.
— Padrasto também. Mas é o que é.
Ela sorriu fraco. — E o que eu faço com isso?
— Nada. — Ele apoiou a mão no braço dela. — Continua sendo quem você é. A ex vai ter o lugar dela. Você tem o seu. E o Pedro sabe a diferença.
—
No fim de semana seguinte, a ex chegou na hora combinada. Pedro já estava com a mochila pronta.
Luísa estava na sala. A porta abriu.
— Oi — Luísa disse.
— Oi. — A ex olhou rápido pra sala. Depois pro filho. — Vamos, Pedro.
Pedro deu um abraço em Luísa. — Até quarta.
— Até quarta.
Ele beijou o Miguel na testa. Pegou a mochila.
A porta fechou.
Carlos olhou pela janela. Viu o carro sair. Pedro no banco de trás, acenando.
— Ela não me cumprimentou — Luísa disse.
— Não.
— Mas ele me abraçou.
— É o que importa.
*Continua em: livreto-103.md — Luísa — Apresentar novo parceiro para os filhos (reflexão)*