Carlos estacionou o carro na frente da escola. Pedro desceu do banco do carona, a mochila num ombro só.
— Me busca às seis? — Pedro perguntou.
— Seis e quinze. Tenho reunião.
— Tá.
Antes de fechar a porta, Carlos chamou: — Pedro.
— Fala.
— O menino novo da sua sala. O que chegou no meio do ano. Como ele tá?
Pedro encolheu os ombros. — Não sei. Não falo com ele.
— Por quê?
— Ele é quieto. Fica no canto.
— Quieto pode ser tímido. Pode ser que ninguém puxou conversa com ele.
Pedro suspirou. — Pai, não é minha responsabilidade socializar todo mundo.
— Não é. Mas você já pensou como seria chegar numa escola nova, no meio do ano, sem conhecer ninguém?
Pedro ficou em silêncio.
— Um dia você pode ser o novo em algum lugar — Carlos disse. — Como você gostaria que te tratassem?
— Não sei.
— Sabe sim.
Pedro chutou uma pedrinha. — Tá, vou tentar puxar conversa.
— Não precisa ser amigo. Só precisa não ser invisível.
— Tá bom.
Ele fechou a porta. Atravessou o pátio. Carlos ficou olhando.