Como apoiar os filhos na descoberta da orientação sexual?

Luísa

Luísa estava no escritório, ajustando um layout, quando ouviu a porta do quarto do Pedro abrir. Passos no corredor. Ele apareceu na porta.

— Posso falar com você?

Ela tirou os óculos de grau. — Claro.

Pedro entrou. Sentou na cadeira de visitante. As mãos nos joelhos.

— É sobre uma coisa — ele disse.

— Tô ouvindo.

— Um amigo meu... ele falou que é bissexual. Pra mim.

Luísa esperou. Não disse nada.

— Eu falei que tava tudo bem. E tá. Mas ele ficou com medo de contar pra outras pessoas.

— Medo de quê?

— De julgamento. De perder amizade. Da família.

Luísa apoiou o queixo na mão. — E o que você acha?

— Acho que cada um sabe de si.

— Só isso?

Pedro hesitou. — Acho que ninguém devia precisar ter medo de ser quem é.

— Isso é bonito.

— Mas não é o que acontece.

— Não. — Luísa se levantou. Foi até a janela. — Não é. Mas pode melhorar. Uma pessoa de cada vez.

Pedro ficou em silêncio.

— Você já pensou sobre isso? — Luísa perguntou. — Sobre sua própria orientação?

— Já.

— E?

— Ainda não sei. E tá tudo bem.

Ela virou pra ele. — Claro que tá. Você tem tempo. A vida inteira, se precisar.

— Meu pai falaria igual?

Luísa sorriu. — Seu pai te ama. Independente disso. Pode demorar um segundo pra processar, mas ele chega lá.

— E você?

— Eu? Já cheguei.

Pedro olhou pra ela. O olho brilhando.

— Obrigado.

— Pelo quê?

— Por não fazer disso um problema.

Luísa andou até ele. Colocou a mão no ombro do menino.

— Não é um problema. É sua vida. E a gente não escolhe por você. A gente só caminha junto.

Pedro levantou. Abraçou ela. Rápido, meio sem jeito. Mas verdadeiro.

— Vou voltar pro quarto.

— Vai.

Ele saiu. Luísa ficou parada. O layout no monitor esperando. Ela colocou os óculos de novo. Respirou fundo antes de continuar.

*Continua em: livreto-092.md — Carlos — Ensinar empatia*