Como conversar sobre sexo com os filhos?

Luísa

A noite estava calma. O Miguel tinha dormido às vinte horas. Luísa estava na sala com um livro no colo, mas não conseguia ler. A mente estava em outro lugar.

Carlos chegou do banho com uma toalha no ombro.

— O que você tem? — ele perguntou, sentando no sofá.

— Nada.

— Você está com cara de preocupada.

Luísa fechou o livro. Colocou na mesa de centro.

— O Pedro perguntou uma coisa hoje.

— O quê?

— A gente estava no carro, voltando da escola. Ele disse que um amigo na sala tinha mostrado um vídeo no celular. "Um vídeo de sexo", ele disse.

Carlos parou de enxugar o cabelo.

— O que você respondeu?

— Eu perguntei o que ele achou. Ele disse que não entendeu direito, que era estranho. — Luísa apertou os lábios. — Eu não sabia o que falar. Falei que sexo é coisa de adulto, que é normal, que quando ele tiver dúvida pode perguntar pra gente.

— Isso foi bom.

— Foi? Pareceu pouco.

— Foi um começo. O Pedro tem quinze anos. Ele vai ter dúvidas. E se ele perguntou pra você, é porque confia.

— Eu sei. Mas eu não quero errar.

— Errar como?

— Dar informação demais. Ou de menos. Fazer ele sentir vergonha de perguntar de novo.

Carlos sentou ao lado dela. A toalha ficou no ombro.

— A gente pode pesquisar junto. Ver como abordar.

— Você pesquisaria comigo?

— Claro. — Ele pegou a mão dela. — O Pedro é meu filho. E a educação dele é nossa responsabilidade.

Luísa apertou a mão dele.

— Eu lembro quando minha mãe conversou comigo — ela disse. — Eu tinha doze anos. Ela me deu um livro. Não falou nada. Só entregou o livro.

— E como foi?

— Eu li o livro escondida, com vergonha. Não perguntei nada pra ela. Acho que ela esperava que o livro respondesse tudo.

— E respondeu?

— Não. Mas eu também não perguntei.

Carlos ficou em silêncio.

— Como você quer que seja diferente com o Pedro?

— Eu quero que ele possa perguntar. Que não sinta vergonha. Que saiba que sexo não é sujo nem proibido — é uma parte da vida.

— Então a gente fala isso pra ele.

— Amanhã?

— Amanhã. Ou quando ele trouxer o assunto de novo. — Carlos apertou a mão dela. — Não precisa ser um discurso. Pode ser uma conversa de cinco minutos. O importante é a porta ficar aberta.

Luísa olhou para a janela. A luz do poste entrava pela cortina.

— Você acha que a gente vai saber falar de sexo com o Miguel também?

— Daqui a uns quinze anos. — Carlos riu. — A gente tem tempo.

— Passa rápido.

— Passa. Mas a gente vai estar pronto.

— Ou vai aprender na hora, como tudo.

— Como tudo. — Ele riu.

Luísa apoiou a cabeça no ombro dele. O barulho da geladeira ligou na cozinha.

— Amanhã eu converso com ele — ela disse.

— Eu converso junto.

— Obrigada.

— De nada.

*Continua em: livreto-068.md — Carlos — Birra de criança*