O que perguntar ao pediatra sobre alimentação do bebê?

Carlos

Carlos chegou na consulta com uma lista no celular. Eram seis perguntas que ele tinha anotado na semana anterior, entre uma reunião e outra no trabalho.

Dra. Fernanda sorriu quando ele abriu o bloco de notas.

— Isso é organização de pai de primeira viagem.

— Não quero esquecer nada.

— Pode perguntar. A consulta é sua.

Carlos olhou a primeira pergunta.

— Ele come fruta bem, mas verdura ele cuspiu. Devo insistir?

— Sim. — Dra. Fernanda respondeu sem hesitar. — Leva de oito a quinze exposições para uma criança aceitar um alimento novo. Se ele cuspiu hoje, oferece de novo amanhã, depois de amanhã, na próxima semana. Sem pressão.

— E se ele continuar recusando?

— Varia a apresentação. Cozido, amassado, em pedaços pequenos. Mistura com uma fruta que ele gosta. Mas não desiste.

Carlos anotou. *8-15 exposições.*

— Segunda pergunta: ele já come com a mão. Pode deixar?

— Pode e deve. Aos oito meses, a introdução alimentar inclui oferecer alimentos sólidos macios que ele possa pegar sozinho. Batata cozida, cenoura cozida, banana. Isso desenvolve a coordenação motora e a autonomia.

Carlos sorriu. Ele achava que a Luísa ia reclamar da bagunça, mas ouvir da médica que era certo ajudava.

— Terceira: ele quer mamar depois de comer. Pode?

— Pode. O leite materno ou fórmula ainda é a principal fonte de nutrição até um ano. A comida complementa, não substitui.

— Quarta: água. Quanto?

— Oferece água entre as refeições, não durante. Uns 60 a 120 ml por dia, espalhados. Suco não é necessário — fruta inteira é melhor.

Carlos continuou anotando.

— Quinta: ele acordou essa semana com uma mancha vermelha depois de comer morango. Pode ser alergia?

— Pode. Suspende o morango, oferece de novo daqui a duas semanas. Se a mancha voltar, evita e me avisa.

— Sexta: a gente quer viajar no fim do ano. Como faz com a alimentação?

— Leva os potes, ou compra no destino. Procura restaurantes que cozinham legumes no vapor. Adapta. Bebê viaja bem se a rotina alimentar não muda drasticamente.

Carlos fechou o bloco de notas. Tinha anotado tudo.

— Obrigado, doutora.

— Imagina. Boa pergunta é melhor que boa resposta.

Ele guardou o celular no bolso. A cabeça estava mais leve.

*Continua em: livreto-053.md — Luísa — Plano B*