Como funciona o calendário de vacinas do bebê?

Carlos

O consultório era claro, paredes azul claras, um quadro de peixes na parede. A pediatra, Dra. Fernanda, estava sentada atrás da mesa, o computador ligado, a caderneta de vacinação do Miguel aberta na frente dela.

Carlos estava na cadeira ao lado, o bebê no colo. O Miguel olhava o estetoscópio pendurado no pescoço da médica com curiosidade.

— A caderneta está em dia — Dra. Fernanda disse, passando o dedo pelas páginas. — Ele tomou a BCG, a Hepatite B, a Pentavalente, a VIP, a Pneumocócica, a Rotavírus. Tudo dentro do prazo.

— E as próximas? — Carlos perguntou.

— Aos nove meses, a segunda dose da Febre Amarela. Aos doze meses, a tríplice viral — sarampo, caxumba, rubéola — e a primeira dose da Hepatite A.

Carlos pegou o celular, começou a anotar.

— E a meningite?

— A meningocócica C ele já tomou com três e cinco meses. Agora tem a meningocócica B, que está disponível na rede privada. Não faz parte do calendário do SUS, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda.

— A senhora recomenda?

— Recomendo. São duas doses, com intervalo de dois meses. Protege contra a meningite B, que é um dos tipos mais comuns em bebês.

Carlos anotou. *Meningo B — 2 doses.*

— E a gripe?

— A vacina da gripe é anual a partir dos seis meses. Ele já pode tomar. No inverno, é bom.

— Tem reação?

— Pode ter febre baixa, irritação no local. Nada que um antitérmico não resolva, com orientação médica.

Carlos mordeu o lábio. Olhou para o Miguel, que agora tentava pegar a caneta da mesa da médica.

— Eu to com medo das reações — ele confessou. — Da última vez ele ficou com febre, chorou a noite inteira.

Dra. Fernanda inclinou a cabeça.

— É normal. O sistema imunológico dele está aprendendo a responder. A reação é sinal de que a vacina está funcionando. Mas eu entendo o desconforto.

— Tem como evitar?

— Não tem como evitar a reação, mas tem como aliviar. Compressa fria no local, antitérmico se a febre subir, muito colo. E lembrar que a doença é pior que a reação.

Carlos sabia que ela tinha razão. Mas ouvir a explicação calmamente ajudou.

— A senhora pode me mandar o calendário completo?

— Claro. Vou imprimir aqui.

Dra. Fernanda imprimiu uma folha com as vacinas, idades e doses. Entregou para Carlos.

Carlos guardou o papel na pasta. A caderneta de vacinação do Miguel estava completa. Pelo menos isso, ele pensou, estava sob controle.

*Continua em: livreto-051.md — Luísa — Pediatra especializado*