Como funciona a alimentação na creche?

Luísa

Luísa estava na porta da cozinha, os braços cruzados, observando. O cardápio da semana estava afixado na parede, dentro de um porta-retratos de plástico.

— Segunda: purê de abóbora com frango desfiado, banana amassada. Terça: creme de batata-doce com carne moída, mamão picado. Quarta: purê de legumes variados, maçã raspada. Quinta: caldo de feijão com arroz bem cozido, pera cozida. Sexta: mingau de aveia com frutas.

— Os bebês até um ano comem separado? — Luísa perguntou.

— Sim. Cada turma tem seu cardápio, adaptado à faixa etária. Os bebês menores comem papinhas específicas, preparadas na hora, sem sal, sem açúcar, sem tempero industrial.

— E o Miguel? Ele tem oito meses, já come comida amassada, mas não bate no liquidificador. A pediatra orientou amassar com o garfo.

— A gente segue a orientação de cada família. Se a senhora prefere amassado, a cozinha prepara assim. A gente anota na ficha do bebê.

Luísa gostou da resposta. Não era um cardápio engessado.

— E quem prepara?

— A cozinheira, Dona Neusa. Ela trabalha aqui há seis anos, tem curso de manipulação de alimentos e fez um curso específico de alimentação infantil.

Dona Neusa estava no fundo da cozinha, picando legumes. Olhou para Luísa e acenou.

— Posso ver os ingredientes? — Luísa perguntou.

Dona Neusa abriu a geladeira. Legumes frescos, carnes embaladas, frutas na fruteira. Tudo organizado, etiquetado.

— Compra semanal — Dona Neusa disse. — Tudo fresquinho.

— E bebê que tem alergia? Como funciona?

— A gente tem uma ficha de cada criança com restrições. Essa ficha fica na cozinha e na sala. Se a criança tem alergia a lactose, por exemplo, a gente substitui o leite por fórmula ou leite vegetal, conforme orientação médica.

Luísa olhou para a ficha modelo que Tânia trouxe. Nome, idade, restrições, contato dos pais, contato do pediatra. Completa.

— O Miguel não tem alergia — ela disse. — Mas é bom saber que o sistema existe.

— A senhora quer provar alguma coisa? — Dona Neusa perguntou, com um sorriso.

Luísa riu.

— Não precisa. Mas obrigada.

Ela saiu da cozinha com uma sensação boa. O cardápio era variado, a cozinha era limpa, a cozinheira tinha experiência. Três pontos verdes.

*Continua em: livreto-048.md — Carlos — Período de adaptação*