Carlos atravessou o corredor com as mãos nos bolsos. Tânia ia na frente, apontando as salas.
— Aqui é o berçário, a senhora já conheceu. Aqui é a sala do grupo um, crianças de um a dois anos.
Carlos parou na porta. A sala era maior que o berçário. Mesinhas baixas, cadeiras pequenas, prateleiras com livros infantis, brinquedos organizados em caixas coloridas. No fundo, uma lousa branca na altura das crianças.
— Posso entrar?
— Pode.
Ele entrou. Bateu na mesinha com a mão. Estável. As cadeiras não balançavam. Passou o dedo no batente da porta — sem pó.
— E o quintal?
— Por aqui.
Tânia abriu uma porta de vidro. O quintal era amplo, com grama sintética, um parquinho com escorregador pequeno, gangorra, tanque de areia coberto. Uma área sombreada com mesinhas e cadeiras para atividades ao ar livre.
Carlos caminhou até o tanque de areia. Olhou dentro. A areia estava limpa, sem objetos estranhos.
— Com que frequência trocam a areia?
— A cada três meses, ou antes se precisar. Cobrimos à noite.
— E os brinquedos do parquinho?
— Revisão mensal. Qualquer peça solta ou rachada é substituída na hora.
Carlos foi até o escorregador. Sacudiu a estrutura. Firme. Apertou os parafusos da base — todos apertados.
Ele se sentiu um pouco paranoico. Mas preferia assim.
— O berçário tem uma saída separada? — ele perguntou.
— Tem. Por segurança. Cada sala tem uma rota de saída diferente.
— E em caso de incêndio?
— Extintores em cada sala, treinamento da equipe a cada seis meses, simulado a cada trimestre. — Tânia apontou o extintor na parede. — Quer ver a data?
Carlos se aproximou. Leu o selo. Válido.
— E a cozinha?
— Também pode ver.
A cozinha era clara, azulejos brancos, pia dupla, fogão industrial pequeno. Uma placa na parede: *Cardápio da Semana*. Um armário fechado com cadeado.
— As crianças têm acesso aqui?
— Nunca. Porta sempre fechada.
Carlos olhou cada canto. A pia estava limpa. O chão, seco. A geladeira tinha potes etiquetados com nomes e datas.
— Pode ficar tranquilo, seu Carlos — Tânia disse. — A senhora e sua esposa são os primeiros pais que pedem pra ver a cozinha.
Carlos não respondeu. Ele estava verificando a data do extintor da cozinha.
*Continua em: livreto-047.md — Luísa — Alimentação na creche*