Luísa estava de joelhos no chão do berçário. O Miguel estava sentado ao lado dela, uma argola colorida na mão, levando à boca para examinar.
A sala era ampla, com janelas que deixavam entrar sol. Tapetes de EVA no chão, espelhos na parede na altura dos bebês, um painel de texturas perto da estante.
— Cada faixa etária tem uma proposta — Tânia disse. Ela estava agachada perto deles, mostrando os materiais. — Para os bebês até doze meses, o foco é estímulo sensorial e motor.
— Sensorial como?
— Tato, audição, visão. — Tânia pegou um tapete com diferentes texturas: uma parte lisa, outra felpuda, outra com bolinhas. — A gente coloca os bebês aqui, eles exploram com as mãos, com os pés, com a boca. Cada textura é uma descoberta.
Luísa passou a mão no tapete. A textura felpuda era macia. A de bolinhas, irregular.
— E a parte motora?
— Os bebês têm momentos de estimulação no chão, sempre. A gente não usa muito andador, nem limita o movimento. Eles ficam livres pra rolar, engatinhar, tentar ficar em pé. A gente coloca brinquedos um pouco distantes pra incentivar o deslocamento.
— E música?
— Música todo dia. Músicas infantis, cantigas, instrumentos simples — chocalho, tambor, sino. A gente observa como cada bebê reage ao som.
Luísa olhou para o Miguel. Ele tinha largado a argola e estava de bruços, tentando alcançar um chocalho azul a meio metro de distância. Ele arrastou o corpo um palmo. Depois outro.
Tânia sorriu.
— Viu? Ele já está se movendo em direção ao estímulo. Isso é bom.
— E quando ele crescer? Passar de um ano?
— Aí entram linguagem, interação dirigida, histórias, brincadeiras com regras simples. A estimulação acompanha o desenvolvimento.
Luísa ficou em silêncio. O Miguel alcançou o chocalho. Sacudiu. O som preencheu a sala.
— Eu gostei — Luísa disse. — Do que vi até agora.
— Ainda tem mais pra mostrar.
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