Como o bebê interage com outras crianças na creche?

Carlos

Carlos chegou no fim da tarde. O expediente tinha terminado às dezoito, ele pegou um uber, chegou com a camisa social ainda abotoada. A creche já estava mais vazia — a maioria das crianças tinha ido embora.

Na sala do berçário, três bebês estavam no tapete. Um dormia. Outro brincava com um mordedor colorido. O terceiro, um menino de cabelo claro, engatinhava em direção a um brinquedo.

Carlos ficou na porta, observando. A coordenadora Tânia estava ao lado.

— O Miguel está ali — ela apontou.

Ele viu o filho. Sentado no tapete, pernas abertas, olhando o menino de cabelo claro se aproximar. O Miguel não desviou o olhar.

— Como ele interage com os outros? — Carlos perguntou. A voz saiu mais baixa do que ele esperava.

— Ele observa bastante — Tânia respondeu. — É o perfil dele. Ele não se joga nas interações, mas também não foge. Quando outra criança se aproxima, ele espera, olha, e responde no tempo dele.

— Isso é normal?

— Totalmente. Cada bebê tem seu ritmo de socialização. Alguns são mais extrovertidos, outros mais observadores. O importante é que ele não evita o contato.

Carlos observou o filho. O menino de cabelo claro chegou perto, estendeu a mão, tocou o braço do Miguel. O Miguel olhou para a mão, depois para o rosto do outro menino. Depois sorriu.

Carlos sentiu um aperto no peito.

— Ele sorriu — ele disse.

— Sorriu — Tânia confirmou. — Ele reconheceu o colega.

— E quando tem conflito? — Carlos perguntou. — Quando um chora, quando um tira o brinquedo do outro?

— A gente media. Ensina a esperar, a dividir, a pedir. Não como a gente faz com criança grande — com bebê a mediação é diferente. A gente distrai, oferece outro brinquedo, mostra que o outro também quer.

Carlos ficou em silêncio. O Miguel estava agora com o mordedor na mão, olhando o menino de cabelo claro engatinhar em volta.

— Ele parece bem — Carlos disse.

— Ele está bem. É um bebê curioso, atento. Socialização não é performance, seu Carlos. É convivência.

Carlos agradeceu com a cabeça. A luz da tarde entrava pela janela do berçário. O Miguel mordeu o brinquedo, olhou para o pai, e sorriu de novo.

*Continua em: livreto-045.md — Luísa — Estímulos na creche*