Como visitar e avaliar uma creche?

Luísa

A fachada era colorida. Um portão azul com um desenho de girafa, um jardim pequeno na entrada, os brinquedos de plástico no quintal. Luísa parou do lado de fora por um instante, o bebê no carrinho, a bolsa pendurada no ombro.

— É aqui, pequeno — ela murmurou.

A porta abriu antes que ela tocasse a campainha. Uma mulher de jaleco rosa, cabelo preso num coque frouxo, sorriu da entrada.

— A senhora deve ser a mãe do Miguel. Pode entrar.

Luísa entrou. O chão era emborrachado, colorido, com letras do alfabeto desenhadas em volta. As paredes tinham cartazes de animais, números, frutas. O cheiro era de limpeza, com um fundo de comida.

— Meu nome é Tânia, sou coordenadora pedagógica. — A mulher estendeu a mão. — Vamos sentar primeiro, eu explico como funciona, depois a senhora conhece os espaços.

Luísa sentou numa cadeira pequena, de adulto, numa mesa redonda. O bebê mexeu no carrinho, curioso com o ambiente novo.

— A senhora pode me contar um pouco do que espera da creche?

Luísa pensou. Ela tinha lido tanta coisa na internet, tantas listas de perguntas, que agora as palavras embaralhavam na cabeça.

— Eu quero entender como funciona a estimulação — ela disse. — O Miguel tem oito meses. Ele não precisa só de um lugar pra ficar. Ele precisa de estímulos.

Tânia assentiu. Pegou uma pasta, abriu numa página com fotos.

— A gente trabalha com estímulos por faixa etária. Os bebês até um ano têm atividades sensoriais, música, texturas, estímulo visual. A sala do berçário é preparada pra isso.

— Que tipo de atividade?

— Tapete sensorial, brinquedos de diferentes texturas, móbiles, músicas. A gente estimula o tato, a audição, a visão. Cada bebê no seu tempo — a gente não força.

Luísa ouvia. As palavras faziam sentido. Mas ela queria ver.

— Posso conhecer o berçário?

— Claro. A senhora pode ir agora, se quiser.

*Continua em: livreto-044.md — Carlos — Socialização na creche*