O sol da manhã esquentava o vidro do carro enquanto Luísa estacionava em frente ao terceiro berçário da manhã. Ela desligou o motor. Olhou para a fachada.
Um prédio amarelo com um portão azul, uma placa colorida na parede: *Bem-Me-Quer Berçário e Educação Infantil.*
— Mais um — ela murmurou.
Ela tinha visitado dois na semana passada. O primeiro era moderno demais — paredes de vidro, salas com monitores, um aplicativo que mandava foto do bebê a cada hora. Parecia mais um escritório de tecnologia do que um lugar para crianças.
O segundo era acolhedor, mas a diretora tinha falado quarenta minutos sem parar e não deixou Luísa fazer nenhuma pergunta.
Agora era o terceiro.
Ela saiu do carro. O sol bateu no rosto dela. A rua era tranquila, com árvores dos dois lados e uma praça do outro lado.
A campainha tocou. Uma moça de jaleco florido abriu o portão.
— Dona Luísa? Pode entrar.
O berçário tinha um cheiro de sabão neutro e fruta. As paredes eram claras, com desenhos de bichinhos pintados à mão. Do lado, uma sala com tapete colorido e brinquedos de madeira.
— Vou chamar a coordenadora para a senhora.
Luísa sentou numa cadeirinha pequena — daquelas de criança, de plástico colorido. Ela riu do tamanho. A cadeira era confortável, mas os joelhos dela ficaram na altura do queixo.
Uma mulher de uns quarenta anos apareceu na porta. Cabelo preso num coque, avental cinza, sorriso aberto.
— Luísa? Prazer, sou Renata, coordenadora aqui. — Ela apertou a mão de Luísa. — Quer um café?
— Aceito.
Renata trouxe duas canecas. Sentou numa cadeira de adulto em frente a Luísa.
— Me conta, o que vocês estão procurando?
Luísa pensou nas perguntas que tinha anotado no celular. Seis perguntas. Mas antes de olhar para o bloco de notas, falou:
— A gente quer um lugar seguro. Onde o bebê seja bem tratado, estimulado, cuidado. — Ela segurou a caneca com as duas mãos. — Mas eu não quero um lugar que pareça hospital. Quero um lugar que pareça casa.
Renata assentiu. Não interrompeu.
— A bebê tem seis meses — Luísa continuou. — Vai começar com meio período. Eu trabalho em casa, mas preciso de um tempo para me dedicar ao escritório.
— Entendi. E como é a rotina dela?
— Ela acorda cedo, umas seis. Mama, brinca um pouco, tira um cochilo. À tarde é mais ativa.
— Funciona bem com a nossa rotina. — Renata apontou para o quadro na parede. — A gente começa com acolhimento individual, respeitando o ritmo de cada bebê. Não força soneca, não força papinha.
— E a alimentação?
— A senhora pode trazer a papinha pronta ou a gente prepara aqui. A nutricionista faz o cardápio semanal com frutas, legumes, sem açúcar, sem sal.
Luísa anotou mentalmente. A resposta foi direta.
— E a adaptação? — ela perguntou.
— A mãe ou o pai pode ficar os primeiros dias. Meia hora, uma hora, aumentando conforme o bebê se sente seguro. A gente não apressa.
— E se ela chorar?
— A gente acolhe. Colo, música, passeio pelo jardim. — Renata sorriu. — Bebê chora. A gente não deixa chorando.
Luísa olhou para o jardim pela janela. Um pequeno canteiro com girassóis, uma casinha de madeira, um balanço baixo.
— Posso ver as salas?
— Claro. Vou te mostrar tudo.
Renata levantou. Luísa a seguiu, a caneca de café ainda na mão.
Elas passaram pela sala dos bebês — quatro crianças dormindo em berços baixos, uma educadora sentada no chão fazendo um crochê. A luz era suave, a temperatura amena.
— Quantas crianças por educador? — Luísa perguntou.
— Aqui no berçário, no máximo quatro por educador. É o ideal para bebês.
— E vocês têm câmeras?
— Temos. O pai e a mãe podem acompanhar pelo celular. — Renata apontou para uma câmera no canto da sala. — Mas a gente pede para não ficar vidrado na tela o dia inteiro. Parte da confiança é soltar.
Luísa parou na porta da sala. Olhou para os bebês dormindo. A luz do sol entrava pela janela arredondada, desenhando um círculo dourado no chão.
— O que a senhora acha mais importante? — Renata perguntou. — No cuidado com o bebê?
Luísa pensou.
— Que ela seja tratada como pessoa. Não como um pacote que a gente deixa aqui. — Ela olhou para Renata. — Que quem cuidar dela olhe no olho, converse, escute.
— A senhora acabou de descrever o que a gente faz aqui.
Luísa sorriu. O café na mão já estava morno.
— Posso trazer o Carlos para conhecer?
— Pode. Amanhã mesmo, se quiser.
— Amanhã então.
Elas voltaram para a recepção. Luísa passou a mão no mural de desenhos na parede — letras coloridas, estrelas, o nome das crianças em cada estrelinha.
No portão, ela se despediu. O sol estava mais alto agora.
Sentou no carro. Antes de ligar o motor, pegou o celular. Mandou uma mensagem para Carlos:
*Encontrei uma creche possível. Amanhã vamos ver juntos?*
O zap vibrou segundos depois:
*Vamos. Qual é o nome?*
*Bem-Me-Quer.*
*Bonito. Vou levar a agenda.*
Luísa sorriu. Guardou o celular no bolso.
Ligou o carro. A rua estava calma, as árvores balançavam devagar.
Ela olhou pelo retrovisor para o prédio amarelo, o portão azul, a placa colorida no muro.
*Bem-Me-Quer.*
O nome tinha um significado para ela. Uma flor, um afeto, um pedido.
*Me quer.*
Sim, ela queria. Queria um lugar bom para a filha.
E estava perto de encontrar.
*Continua em: Fim da cena — O bebê crescendo*