Quais vacinas o bebê precisa tomar nos primeiros meses?

Luísa

A sala de espera da UBS estava cheia. Luísa segurava o bebê no colo, o cartão de vacinas na bolsa, o coração batendo mais rápido do que o normal.

Ela não gostava de agulha. Não gostava desde criança.

E agora precisava ver a filha levar a primeira picada.

— Dona Luísa, pode entrar.

A enfermeira era uma mulher de uns cinquenta anos, braços fortes, cabelo curto grisalho. O jaleco branco tinha um broche de flor na lapela.

— Senta aqui, mãezinha. Vou ver o cartão.

Luísa sentou na cadeira de plástico. O bebê estava acordado, os olhos arregalados, sem desconfiar do que estava por vir.

A enfermeira examinou o cartão.

— Primeira dose da hepatite B já tomou na maternidade, né?

— Sim.

— Agora é a pentavalente, a VIP e a pneumocócica. Três picadas hoje.

— Três? — A voz de Luísa subiu um tom.

— A primeira bateria é assim. — A enfermeira sorriu. — Mas passa rápido. A senhora já tomou vacina na vida, sabe como é.

— Mas ela é tão pequena.

— Pequena e forte. Vai sentir a picada e chorar, mas em cinco minutos já esqueceu.

Luísa olhou para a filha. A bochecha rosada, o bracinho gordinho, a mão fechada.

— E se ela tiver reação? — Luísa perguntou.

— Febre baixa é normal nas primeiras 24 horas. Pode dar antitérmico se passar de 38 graus. E o local da picada pode ficar vermelho e endurecido. — A enfermeira abriu a gaveta e tirou as seringas. — Mas reação grave é raríssima.

— E por que tantas vacinas de uma vez?

— Porque o sistema imunológico do bebê aguenta. E é melhor proteger cedo do que esperar. Doenças como coqueluche e meningite são perigosas nos primeiros meses.

Luísa passou o dedo na mãozinha da filha. A criança agarrou o dedo dela com força.

— Quantas vacinas ela vai tomar até um ano?

— O calendário básico tem umas oito vacinas. Várias doses. — A enfermeira puxou a agulha. — Mas é tudo gratuita, aqui no posto.

— E as reações? As que a gente ouve falar?

— A maioria é mito. — A enfermeira limpou o bracinho do bebê com álcool. — A senhora já deve ter ouvido história de vacina que causa autismo, problema neurológico… Nada disso tem comprovação científica. Vacina salva vida.

— Eu sei. — Luísa engoliu seco. — É que dói ver ela chorar.

— Dói em toda mãe. — A enfermeira preparou a agulha. — Mas imagina a dor de ver ela doente numa UTI.

Luísa segurou a filha mais perto. O bebê mexeu o bracinho, ainda sem entender.

— Pode aplicar — ela disse.

A enfermeira foi rápida. Três picadas, uma do lado da outra. O bebê chorou — um choro agudo de susto, mais que de dor. Luísa pegou ela no colo, balançou, fez shhhhh perto do ouvido.

— Pronto, princesa. Já passou.

O choro foi diminuindo. Virou soluço. Depois silêncio.

O bebê olhou para Luísa, os olhos ainda úmidos.

— Viu? — A enfermeira disse. — Em dois minutos já passou.

Luísa respirou fundo. O aperto no peito tinha diminuído.

— Obrigada.

— Volta daqui dois meses para a segunda dose, tá?

— Tá.

Luísa levantou com o bebê no colo. O cartão de vacinas estava mais cheio agora, com os adesivos colados.

Ela caminhou até o carro. O sol da manhã esquentava o asfalto. A filha dela dormia no colo, com o bracinho enfaixado.

Três picadas. E um calendário inteiro pela frente.

Mas ela estava protegida.

*Continua em: insumo-039.md — Ver os pais*