Qual o histórico de saúde da família e como isso afeta o bebê?

Carlos

O almoço na casa da Dona Lúcia estava na mesa — arroz, frango assado, batata corada. Carlos sentou ao lado da mãe enquanto o bebê dormia no colo da cunhada Clarinha, que fazia um carinho suave no pé da sobrinha.

Dona Lúcia colocou mais uma colher de arroz no prato do filho.

— Tá magro — ela disse.

— Mãe, eu não tô magro.

— Tá sim. Come mais.

Carlos não discutiu. Comeu.

A mesa estava cheia — Beto, o irmão mais velho, do outro lado; Clarinha no canto com o bebê; Dona Lúcia na cabeceira, servindo todo mundo.

O almoço estava no fim quando Carlos limpou a boca no guardanapo.

— Mãe, deixa eu te perguntar uma coisa.

— Fala.

— O pai — ele começou. A voz ficou mais baixa. — O que ele tinha? De saúde, quero dizer.

Dona Lúcia parou de mexer no prato. Os olhos foram para o filho.

— Por que a pergunta?

— O pediatra falou que a gente precisa saber do histórico da família. Coisas que podem passar para o bebê.

Dona Lúcia apoiou o garfo no prato. O barulho metálico ecoou na cozinha.

— Seu pai tinha problema no coração. Você sabe disso. Pressão alta também. E uma diabetes que apareceu nos últimos anos.

— E do lado da senhora?

— Pressão alta também, mas controlada. Minha mãe morreu de idade, de velhice. Meu pai de câncer no pulmão — mas ele fumava.

Carlos anotou mentalmente. Do lado da mãe, a genética era mais tranquila. Do lado do pai, coração, pressão, diabetes.

— E eu? — ele perguntou. — Eu tenho risco?

Dona Lúcia respirou fundo.

— Todo filho carrega um pouco do pai. Você pode ter tendência. Mas não é certeza. — Ela olhou para o neto no colo da Clarinha. — E a sua filha também pode carregar.

— A gente cuida — Beto disse. Do outro lado da mesa, o irmão mais velho cortava um pedaço de frango. — Você cuida da saúde dela desde cedo, cria hábitos bons. A genética dá a tendência, mas o estilo de vida decide.

Carlos olhou para Beto. O irmão mais velho não falava muito, mas quando falava, era certeiro.

— Como você sabe disso? — Carlos perguntou.

— Pesquisei. Quando a Clarinha ficou grávida, eu fiquei com as mesmas dúvidas.

— E o que você descobriu?

— Que a gente não precisa ter medo do histórico. A gente precisa saber dele — Beto respondeu. — Saber para monitorar, para prevenir, para não ser pego de surpresa.

Clarinha levantou o bebê no colo, ajeitou ele no ombro. O bebê arrotou baixinho.

— Olha — ela disse. — Minha sobrinha já está contribuindo.

Todo mundo riu.

Carlos olhou para a mesa. A mãe passando o feijão para o Beto. A Clarinha com a sobrinha no colo. O Toby deitado no canto da cozinha, o rabo abanando devagar.

Ele respirou fundo. A árvore genealógica da família tinha alguns galhos secos, mas a maioria ainda estava firme.

— Mãe, a senhora pode escrever o histórico? O que a senhora lembrar?

Dona Lúcia pegou um guardanapo limpo. Puxou uma caneta da gaveta.

— Vou escrever agora.

Ela começou a anotar no guardanapo de pano, com letra miúda e firme. Carlos olhou as mãos da mãe — enrugadas, firmes, as mesmas mãos que tinham segurado ele, que agora seguiam o neto nos desenhos que fazia no pano.

*Continua em: insumo-038.md — Vacinas*