Como incluir o filho mais velho nos cuidados com o bebê?

Luísa

O almoço de domingo estava quase pronto. Luísa mexia o arroz no fogão enquanto o bebê dormia no carrinho perto da mesa. O cheiro de alho frito enchia a cozinha.

Pedro estava sentado no sofá da sala, o celular na mão, os dedos deslizando pela tela. O Toby dormia enroscado aos pés dele.

Luísa olhou para a cena. O adolescente no sofá, o celular, o cachorro. Ela queria chamar ele para ajudar com o bebê, mas não sabia como fazer sem parecer forçado.

— Pedro? — ela chamou.

— Oi?

— Você pode vir aqui um segundo?

Pedro levantou com um suspiro. Largou o celular no sofá e foi até a cozinha. Parou na porta.

— O que foi?

— Pode segurar a mamadeira? — Luísa apontou para o frasco no balcão. — Só por um minuto, enquanto eu termino o arroz.

Pedro pegou a mamadeira. Ficou parado no meio da cozinha, o objeto na mão, sem saber o que fazer.

— É para esquentar? — ele perguntou.

— Não, já está morninha. Deixa ela aqui do lado, por enquanto.

Pedro colocou a mamadeira na bancada. Encostou no balcão. Olhou para o bebê dormindo no carrinho.

— Ela dorme muito — ele disse.

— Bebê recém-nascido dorme quase o dia inteiro. Só acorda para mamar.

— E quando não está mamando, está dormindo?

— Basicamente. — Luísa desligou o fogo. — Mas quando acorda, dá trabalho.

— Que nem o Toby quando era filhote.

Luísa sorriu. A comparação era certeira.

— Parecido. Mas bebê humano não usa coleira.

Pedro riu baixinho.

— Quer segurar ela? — Luísa perguntou.

O rosto de Pedro mudou. Os olhos dele foram para o carrinho, depois para Luísa.

— Agora?

— Agora. Ela vai dormir mais uns quarenta minutos. Pode sentar no sofá com ela.

— E se ela acordar?

— Você chama a gente. — Luísa secou as mãos no pano de prato. — Mas não vai acordar. Ela está no sono pesado.

Pedro hesitou. Deu um passo em direção ao carrinho. Parou.

— Como pega?

— Uma mão na cabeça, a outra embaixo do bumbum. E traz ela perto do peito. Devagar.

Pedro inclinou o corpo. Colocou a mão sob a cabeça do bebê e a outra por baixo do corpo. O bebê pesava quase nada. Ele levantou com cuidado, como se estivesse segurando um pássaro.

O bebê não acordou.

Pedro ficou parado, imóvel, o bracinho estendido.

— E agora?

— Senta no sofá.

Ele foi andando devagar, os passos curtos, como se o chão estivesse escorregadio. Sentou na ponta do sofá. O bebê continuava dormindo no colo dele.

— Tá vendo? — Luísa disse, da cozinha. — Não é tão difícil.

Pedro olhou para o rostinho da irmã. Os olhos fechados, a boca entreaberta, a respiração leve.

— Ela é tão pequena — ele murmurou.

— É. Por isso que precisa de cuidado.

O Toby levantou a cabeça. Cheirou o ar perto do bebê. Depois deitou de novo, o focinho apoiado nas patas.

Pedro ficou sentado com a irmã no colo. Não mexeu o celular. Não olhou para a TV. Ficou parado, sentindo o peso daquele corpinho de três quilos dormindo no braço dele.

— Luísa?

— Fala.

— Ela é bonitinha.

Luísa parou de lavar a louça. Olhou para os dois no sofá — o adolescente de moletom cinza com a irmã no colo, os pés descalços no chão.

— É — ela disse. — Ela é.

*Continua em: insumo-037.md — Árvore genealógica*