Como socializar o bebê com outras crianças?

Carlos

O sol da manhã esquentava o banco da praça enquanto Carlos segurava o bebê no colo. O Toby estava agitado, farejando o chão ao redor, a coleira vermelha balançando. Do outro lado do gramado, um grupo de crianças brincava no parquinho.

Uma menina de uns três anos descia do escorregador. Um menino corria atrás de uma bola. Uma mãe empurrava o filho no balanço.

Carlos olhou para o bebê no braço. A filha dele estava acordada, os olhos arregalados, seguindo o movimento das árvores.

— Tá vendo, pequena? — ele murmurou. — Ali tem criança pra todo lado.

O bebê virou a cabeça na direção do parquinho.

Carlos pensou em como ia ser dali a alguns meses — quando ela começasse a engatinhar, andar, querer brincar com os outros. Ele não sabia por onde começar.

No banco ao lado, uma senhora de cabelos brancos lia um livro. Carlos hesitou. Depois falou:

— Com licença. A senhora tem netos?

A senhora baixou o livro. Olhou para ele por cima dos óculos.

— Tenho quatro. Por quê?

— É que eu queria entender uma coisa. — Carlos ajeitou o bebê no colo. — Sobre socialização. Quando que a gente começa a apresentar o bebê para outras crianças?

A senhora fechou o livro, mas manteve o dedo marcando a página.

— Desde cedo, moço. Não precisa esperar não. O bebê aprende olhando, escutando, sentindo. Leva ele no parque, deixa ele ver as outras crianças.

— Mas ela é tão novinha ainda. Não tem nem dois meses.

— Não importa. O olho dela já está aprendendo a reconhecer rostos, sons, movimentos. — A senhora sorriu. — Minha neta mais nova começou a ir na pracinha com quarenta dias. Hoje ela tem dois anos e não tem medo de ninguém.

O Toby voltou correndo. Enfiou o focinho na mão de Carlos, pedindo carinho.

— E se ela não gostar? — Carlos perguntou. — Se ela estranhar?

— Ela vai estranhar no começo. Todo bebê estranha. Mas aí a senhora pega ela no colo, mostra que tá perto, que é seguro. Com o tempo, ela vai se soltar.

Carlos olhou para o parquinho. A menina do escorregador tinha descido de novo e agora corria em direção ao balanço.

— Obrigado. — Ele disse para a senhora.

— Imagina. — Ela abriu o livro de novo. — E moço: não esquece de deixar o bebê no chão também. No tapete, no colchonete. Eles precisam sentir o chão.

Carlos riu baixinho.

— Anotado.

A senhora voltou para o livro. Carlos ficou ali no banco, o bebê no colo, o Toby deitado aos pés. O sol subia no céu, as crianças gritavam no parquinho, e a filha dele olhava para tudo com os olhos bem abertos.

Ele não sabia ainda o nome de todas as fases. Mas sabia que o primeiro passo era simples: levar ela para ver o mundo.

*Continua em: insumo-034.md — Veterinário falando com criança*