No almoço, a conversa esquentou.
— Você viu que a Mariana chegou atrasada de novo? — a Jéssica comentou.
— É, ela está diferente ultimamente.
— Será que é problema com o marido?
Carlos ouviu em silêncio. Ele já tinha participado dessas conversas antes. Depois se arrependia.
Na semana passada, ele mesmo tinha comentado sobre o atraso do Rafael. Descobriu depois que o Rafael estava fazendo tratamento médico e não queria expor.
— Pessoal, vamos mudar de assunto — Carlos interrompeu.
— Por quê?
— A vida pessoal dos outros não é nossa. Se a Mariana está atrasando, isso é entre ela e o gestor. A gente não precisa especular.
A Jéssica ficou sem graça.
— Só tava comentando.
— Eu sei. Mas comentário cria fofoca. Fofoca vira clima pesado. E ninguém gosta de trabalhar num lugar onde sua vida pessoal é assunto de mesa de almoço.
O silêncio caiu.
— Ele tem razão — o André disse. — Não custa evitar.
Dali em diante, Carlos adotou uma regra: não comentar sobre a vida pessoal de ninguém no trabalho.
Se alguém puxava assunto, ele desviava.
— Vi que a Ana chegou com um carro novo.
— É? Legal. Sobre o relatório do projeto, você viu que o prazo mudou?
Ou desviava educadamente.
— Prefiro não comentar sobre a vida dos outros.
No começo, as pessoas estranharam. Depois, passaram a respeitar.
— Carlos é discreto — diziam.
E ele percebeu que a discrição trazia confiança. As pessoas começaram a contar coisas pessoais para ele porque sabiam que ele não espalhava.
— O maior ativo no trabalho é a confiança. E confiança se constrói com discrição.
*Continua em: 989 — Como perguntar sobre cuidados com postura no trabalho?*