Como ensinar estagiário sem fazer o trabalho dele?

Carlos

O estagiário novo se chamava Pedro. Chegou na segunda, sentou na mesa do lado do Carlos, e recebeu a primeira tarefa.

— Pedro, preciso que você organize essas planilhas. Separa por mês e por categoria.

— Certo.

Vinte minutos depois, o Pedro estava perdido. As fórmulas não fechavam. Os dados estavam bagunçados.

— Carlos, pode me ajudar?

Carlos olhou. Fazer ele mesmo levaria cinco minutos. Explicar levaria trinta.

— Vem aqui — ele disse. — Vou te mostrar.

Ele pensou em fazer a correção sozinho. Mas lembrou do que o Carlos tinha dito: seu trabalho não é fazer o do estagiário. É ensinar ele a fazer.

— Olha, você precisa usar essa função aqui. Essa, PROCX. Ela busca o valor na tabela.

— Não conheço.

— Então vamos aprender juntos. Abre o navegador e pesquisa o tutorial. Vou te acompanhar.

Pedro achou o tutorial. Leu. Fez o exercício.

— Entendi. Então eu aplico isso na planilha?

— Aplica. Depois me mostra.

Trinta minutos depois, Pedro voltou com a planilha pronta. Correta.

— Carlos, consegui.

— Boa. O que você aprendeu?

— A usar PROCX. E que é melhor pesquisar antes de pedir ajuda.

— Exato. Da próxima, primeiro tenta. Se travar, me pergunta. Mas tenta antes.

Carlos aprendeu: ensinar estagiário não é fazer por ele. É dar o caminho e deixar ele percorrer.

— Se você faz pelo estagiário, ele não aprende. E você acumula trabalho. Se você ensina, ele se torna autônomo. E você ganha tempo no futuro.

No fim do mês, Pedro já resolvia metade das dúvidas sozinho.

— Carlos, você é um bom professor — ele disse.

— É meu trabalho. Te ensinar para você não depender de mim.

*Continua em: 988 — Como não comentar sobre vida alheia no trabalho?*