Carlos tinha 38 anos. Na equipe dele, tinha o João, 62 anos, que estava na empresa desde os anos 90. E tinha a Luísa, 24 anos, recém-formada.
Os dois não se entendiam.
— Esse menino acha que sabe tudo — o João reclamou no café. — Quer mudar processo que funciona há vinte anos.
— O João é muito lento — a Luísa reclamou do outro lado. — Tudo ele quer fazer do jeito antigo. Não aceita ferramenta nova.
Carlos era o líder dos dois. Precisava fazer a ponte.
Ele chamou cada um separadamente.
— João, você tem experiência que a Luísa não tem. Ela não sabe o que você sabe. Mas ela também tem conhecimento que você não tem. Existe um meio do caminho.
— Ela não me respeita.
— Você já tentou ensinar ela?
— Ela não quer aprender.
Carlos foi falar com a Luísa.
— Luísa, o João está na empresa há trinta anos. Ele já viu iniciativa que deu certo e iniciativa que deu errado. A experiência dele é um ativo.
— Mas ele não aceita mudança.
— Você já perguntou por que? Qual foi o problema que ele enfrentou?
Ela pensou.
— Não perguntei.
Carlos propôs um exercício. Cada um ia ensinar algo ao outro. O João ensinaria sobre o processo antigo e por que ele existia. A Luísa ensinaria sobre a ferramenta nova.
No começo foi tenso. Mas depois de algumas sessões, algo mudou.
— Então é por isso que vocês faziam esse passo manual — a Luísa disse. — O sistema antigo não permitia automatizar.
— E essa tal de nuvem — o João disse — realmente é mais rápido que salvar no servidor local.
Carlos viu que diferença de geração não era sobre idade. Era sobre escuta.
— O profissional mais velho tem bagagem. O mais novo tem repertório novo. Um completa o outro.
*Continua em: 987 — Como ensinar estagiário sem fazer o trabalho dele?*