A mãe do Carlos ligou.
— Filho, o que você faz mesmo? Minha amiga perguntou e eu não soube responder direito.
Carlos riu. A mãe já tinha perguntado umas cinco vezes.
— Mãe, eu trabalho com análise de dados. A empresa onde eu trabalho tem muitos números — vendas, clientes, estoque. Eu organizo esses números pra ajudar eles a tomar decisão.
— Mas você mexe em computador o dia todo?
— Meço.
— E dá dinheiro?
— Dá.
Ela ficou satisfeita.
Carlos pensou sobre o desafio de explicar o trabalho. As pessoas não entendem porque não conhecem o contexto. O erro é querer ensinar tudo de uma vez.
Ele lembrou de quando explicou pro tio:
— Tio, você lembra quando o mercado aqui do bairro faliu? Eles não sabiam quais produtos vendiam mais. Fecharam porque compravam coisa que ninguém queria. Se tivessem os dados organizados, saberiam que precisavam focar em carne e arroz. Meu trabalho é impedir que empresas cometam esse erro.
O tio entendeu na hora.
Carlos anotou as lições:
— Começar pelo problema que você resolve. Não pelo que você faz.
— Usar exemplos do mundo da pessoa. Se a pessoa é da saúde, comparar com exame. Se é professor, com nota de aluno.
— Não usar sigla. Ninguém quer saber o que é KPI, SQL, OKR. Só o resultado.
— Aceitar que a pessoa não vai entender tudo. E tudo bem.
— Ter uma resposta de um minuto pronta. A versão completa, de três minutos. E a versão técnica, pro colega de área.
— Quando a pessoa fala que entendeu mas claramente não entendeu, não corrigir. É falta de educação.
Na semana seguinte, a mãe ligou de novo:
— Filho, consegui explicar. Falei que você descobre o que as pessoas querem comprar antes delas saberem.
— Tá ótimo, mãe.
*Continua em: 985 — Como lidar com discriminação no trabalho?*