Carlos estava no churrasco de aniversário de um amigo. Copo na mão, música alta, todo mundo conversando.
— E você, Carlos, o que faz? — uma prima do amigo perguntou.
— Trabalho com análise de dados.
— Que legal! O que isso significa?
Carlos já tinha passado por isso antes. Ele começava a explicar sobre SQL, dashboards, métricas de performance, e via os olhos da pessoa se apagando.
Dessa vez ele tentou diferente.
— Sabe quando você vai no supermercado e eles te mandam ofertas no celular? Ou quando o Netflix sugere um filme? Alguém precisa organizar esses dados pra empresa tomar decisão. É isso que eu faço.
— Ah, entendi! Então você organiza a bagunça dos números?
— Isso mesmo.
A pessoa sorriu. A conversa fluía.
Carlos percebeu: falar sobre trabalho em evento social não é sobre mostrar o quanto você é importante. É sobre conectar com a pessoa.
Ele aprendeu algumas regras:
— Explicar em analogia simples. Não usar jargão técnico.
— Falar do propósito, não do processo. Ninguém quer saber como você faz. Quer saber pra que serve.
— Mostrar entusiasmo. Se você parece entediado com seu trabalho, a pessoa também vai ficar.
— Saber a hora de parar. Depois de resumir, perguntar sobre a pessoa. Virar a conversa.
— Não reclamar. Reclamar do trabalho em festa é garantia de ninguém querer conversar com você.
No fim da noite, três pessoas tinham perguntado o que ele fazia. Ele respondeu de três formas diferentes. Cada uma deu conversa boa.
— O segredo não é explicar bem o trabalho. É fazer a outra pessoa se importar.
*Continua em: 984 — Como explicar seu trabalho para quem não entende?*