Carlos trabalhava numa empresa onde todo dia era uma guerra. O gestor gritava com a equipe em reunião. Colega passava a perna em colega. Fofoca era o esporte oficial.
— Você viu o que o Rafael fez? — a Ana cochichou no café. — Passou o trabalho do André como se fosse dele.
— É melhor não se meter — Carlos respondeu, já exausto.
Ele chegava em casa com ansiedade. Dormia mal. Acordava com o estômago embrulhado pensando em ir pro trabalho.
Uma sexta, ele não aguentou mais. Foi até o RH.
— Preciso conversar sobre o clima da equipe.
— O que está acontecendo?
Carlos contou. As gritarias. As fofocas. A competição doentia.
— Infelizmente não é a primeira reclamação. Vamos investigar.
Nos meses seguintes, algumas coisas melhoraram. Mas não tudo.
Carlos entendeu que ambiente tóxico não se muda sozinho. Ele começou a se blindar:
— Chegava, fazia o trabalho dele, e não participava de fofoca.
— Documentava tudo que fazia, com data e horário.
— Usava e-mail para registrar decisões importantes.
— Não desabafava com colegas que podiam usar contra ele.
E o mais importante: enquanto o ambiente não melhorava, ele atualizou o currículo e começou a procurar outra oportunidade.
— Não é fracasso sair de um lugar tóxico — ele pensou. — É autocuidado.
*Continua em: 982 — Como recusar uma tarefa no trabalho?*